Robert Downey Jr. dá a volta por cima com "Homem de Ferro"
da Efe, em Los Angeles
Dependência de drogas, passagens freqüentes em delegacias, e longas temporadas em centros de reabilitação foram, durante anos, parte da rotina do ator Robert Downey Jr.
Apesar disso, o ator parece ter dado a volta por cima, e uma prova disso foi sua escolha para interpretar o protagonista de "Homem de Ferro", o mais rebelde dos super-heróis, que estreou nos cinemas brasileiros.
A crítica especializada foi unânime em apontar o ator como um dos melhores intérpretes de sua geração. Agora, graças a Tony Stark, verdadeira identidade do "Homem de Ferro", a quem Downey Jr. concede um "grande paralelismo" com sua própria vida, o ator poderá expiar seus pecados pessoais e conseguir a redenção aos olhos do público.
| 14.abr.08/Patrick Riviere /Reuters |
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| Ator Robert Downey Jr. em evento devido à estréia de "Homem de Ferro" na Austrália |
E quem diria que o gosto pelo risco, que esteve a ponto de desviá-lo de uma das carreiras mais promissoras de Hollywood na década de 1990, serviria como base para o papel pelo qual será lembrado por milhões de pessoas?
O Homem de Ferro se destaca, tanto na história em quadrinhos da Marvel como no filme dirigido por Jon Favreau, por seu gosto pelo jogo, pelo álcool e pelas mulheres, que o transforma em um verdadeiro playboy.
Downey Jr., de 43 anos, concorreu ao Oscar como melhor ator pelo filme "Chaplin" (1992), mas sua carreira sofreu um duro revés devido à sua atração pelas drogas, com as quais conviveu de sua infância até 2002, quando se livrou da dependência.
Nessa data, o juiz Randall White colocou um ponto final aos três anos de liberdade condicional que o ator estava cumprindo após ter permanecido um ano completo em um programa de reabilitação.
As primeiras detenções do nova-iorquino, nascido no boêmio bairro de Greenwich Village e filho do diretor de cinema underground Robert Downey, seguidos de uma reincidência e inclusive da violação de sua liberdade condicional, o levaram a cumprir pena na prisão de Corcoran (Califórnia) durante mais de um ano, até 2000.
Naquele mesmo ano, quando se falava de uma recuperação, não só pessoal, mas artística --pois Downey Jr. ganhou o Globo de Ouro por seu trabalho na série "Ally McBeal"--, o ator voltou a ser detido por posse de drogas em um hotel de Palm Springs (Califórnia).
Por causa da detenção, Downey Jr. permaneceu praticamente afastado do público e recebeu ajuda em um centro de reabilitação.
Seu retorno definitivo começou em 2003 pelas mãos de seu amigo Mel Gibson, com quem compartilhou cenas em "Crimes de um Detetive" (2003), e continuou graças ao sucesso de bilheteria "Na Companhia do Medo" (2003), com Halle Berry.
Em 2004 ele se divorciou de Deborah Falconer, com quem se casou em 1992, mas em agosto de 2005 voltou a se casar, desta vez com a produtora Susan Levin.
Nesse ano, recebeu de novo o elogio da crítica por "Beijos e Tiros" (2005), lançou um trabalho fonográfico ("The Futurist") e apareceu em um papel secundário em "Boa Noite, Boa Sorte" (2005), de George Clooney.
Ele, no entanto, voltou a demonstrar grande estilo em "Zodíaco" (2007), filme de suspense dirigido por David Fincher.
O papel do jornalista Paul Avery também guardava alguma semelhança com seus antigos hábitos na vida real, já que, ao lado da obsessiva investigação sobre os crimes do assassino do Zodíaco em San Francisco da década de 1970, sua dependência ao álcool e às drogas terminam por destruí-lo.
Embora pareça que Downey Jr. possa ter deixado para trás definitivamente a etapa conflituosa de sua vida, os estúdios ainda enfrentam as seguradoras, que preferem não cobrir sua participação nos filmes por medo de uma possível recaída.
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