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Ilustrada
07/05/2008 - 09h36

Peça "Desconhecidos" mostra autor em fase realista

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VALMIR SANTOS
da Folha de S.Paulo

Há três anos, ao participar do ciclo "Leituras de Teatro", na Folha, o autor Dionísio Neto anunciava "Desconhecidos" como o texto por meio do qual "se lavava" do passado e com o qual abriria caminhos para a segunda década como artista.

Demmis Nielsen/Clix
Peça Desconhecidos
Cena da peça "Desconhecidos", apresentada no Festival de Curitiba e agora em São Paulo

"Começo a penetrar naquilo que sempre quis como artista e que antes, talvez por ser muito novo, apenas intuía", diz Neto, 36, sobre sua peça mais realista.

A montagem estréia hoje em São Paulo, no Sesc Consolação, após integrar a mais recente edição do Festival de Curitiba, em março.

Atuante desde a metade da década passada, com textos como "Perpétua" e "Opus Profundum", o maranhense Neto, que também atua em suas peças e está radicado em São Paulo desde os anos 80, recorre ao metateatro para contar a história com a Companhia Satélite.

No prólogo, uma cena naturalista à la "Prêt-à-Porter", a série coordenada por Antunes Filho no CPT. Flor de Lótus e Francisco Carlos formam o casal de atores flagrado no cotidiano do lar. O almoço por fazer, os queixumes, a cegueira passageira dele, a síndrome de pânico dela. E, sobretudo, as expectativas quanto ao espetáculo em que atuam à noite.

Cerca de 12 minutos depois, vira o jogo. Os mesmos atores surgem na peça dentro da peça. "A partir daí, as cenas caminham para um realismo extremo e ao mesmo tempo onírico, de tintas surreais, em contraponto ao início", diz o diretor Ivan Feijó, 37.

Agora, os atores-personagens (sempre interpretados por Simona Queiroz e Neto) vivem, respectivamente, a aeromoça Catirina, que acaba de ser demitida, e o dono de um restaurante, Cristino dos Anjos Neto. Eles se conhecem por acaso, no banco de uma praça deserta. E deixam aflorar a intimidade entre um homossexual e uma mãe de família.

Súbito, o roteiro corta para a ação violenta do serial killer que mata mulheres de uniforme e lhes devora o coração.

"Estou aproximando ao máximo meus personagens do ultra-realismo na busca de uma identificação direta com o público, um trampolim para a catarse coletiva", diz Neto.

A sexualidade também é uma das chaves. "Na primeiro parte, o ator que desempenhará o papel do homossexual Cristino é profundamente homofóbico.

Ele acaba por espelhar grande parcela da sociedade, e seu maior desafio será interpretar o gay sem cair em estereótipos, deixando-o humano, demasiadamente humano", diz Neto sobre seus papéis.

Desconhecidos
Quando: estréia hoje; qua. a sex, às 21h; até 27/6
Onde: Sesc Consolação - 3º andar (r. Dr. Vila Nova, 245, tel. 0/xx/11/3234-3000)
Quanto: R$ 10

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