Irmãos KLB dizem que farão "o impossível" para ter papagaios de volta
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
Os irmãos do grupo musical KLB disseram que farão "o impossível" para reaver os dois papagaios da família que foram apreendidos no dia 19 de março e que, desde então, estão sob poder do Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
| Arquivo Pessoal |
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| Papagaios do KLB, Kito e Juliano, estavam com a família Scornavacca havia 20 anos |
Conforme revelou a Folha Online na última quarta-feira (7), o órgão ambiental não pretende devolver as aves, que foram encaminhadas para o Parque Ecológico do Tietê, na região leste de São Paulo, onde podem, em breve, ser soltas.
Os irmãos KLB não se conformam com a medida, que consideram "arbitrária". A Folha Online conversou com dois deles, Leandro e Bruno [Kiko, envolvido com a produção do novo disco do grupo, não pôde participar da conversa]. Ambos disseram estar desolados desde a apreensão dos animais e revelaram detalhe da convivência com os papagaios, como passeios de moto e minibugue e até banho com as aves. Confira a entrevista.
Folha Online - Quando vocês compraram os dois papagaios?
Bruno Scornavacca - A gente comprou em uma chácara de Piracicaba [interior de São Paulo], onde os dois já viviam. A dona nos ofereceu. Isso foi há mais de 20 anos e ainda éramos crianças. Crescemos com eles.
| Arquivo Pessoal |
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| Cantor Bruno, do KLB, posa na infância com o papagaio Kito; segundo contou, ele é arisco |
Folha Online - Como se chamavam os papagaios?
Bruno - Kito e Juliano.
Leandro Scornavacca - O Kito era quem mais cantava. A gente até fazia filmes de terror com eles, quando éramos crianças. Eles atuavam nos filmes e a gente colocava catchup na pena deles, pra fingir que tinham morrido. Era muito divertido!
Folha Online - Então eram dois machos?
Bruno - A gente não sabe o sexo. Mas eles têm personalidades opostas. O Kito é muito arisco e só deixa eu e o Leandro encostar nele. Já o Juliano vai em todo mundo, ele é muito mansinho.
Folha Online - No pedido que seu pai encaminhou ao chefe do Ibama, intercedendo pela devolução, ele diz que os papagaios eram membros da família. Isso é verdade?
Bruno - Claro! Nós crescemos com eles. O Kito andava de moto, de bicicleta e até de minibugue comigo. Ele bicava os outros, mas a mim nunca. Eu não vivo sem meus papagaios!
Leandro- Eles falavam muito, gritavam, chamavam nosso nome. Quando estávamos ensaiando, eles cantavam junto. O Kito chegou até a participar de shows nossos.
| Arquivo Pessoal |
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| Irmãos KLB contaram que o papagaio Kito gosta de passear de moto (foto) e minibugue |
Folha Online - Eles ficavam soltos em casa?
Bruno - Sim. Eles só eram presos na gaiola à noite, por causa dos quatro cachorros que temos [um labrador, um rottweiler, um poodle e um dálmata]. Mas os cachorros sempre respeitaram os papagaios e nunca avançaram neles. Eles [os papagaios] nunca quiseram fugir e não têm asas cortadas. Os dois eram muito bem tratados e só comiam ração.
Folha Online - Como vocês reagiram quando souberam da apreensão?
Bruno - Eu não estava em casa e foi minha mãe quem ligou, avisando. Eu fiquei muito mal e minha primeira reação foi querer ir lá buscar meus papagaios de volta.
Leandro - Eu fiquei muito chateado. Aqui em casa os bichos não eram maltratados. Não fomos nós quem tirou os dois da natureza. Quando compramos os papagaios, eles já viviam em uma chácara há muito tempo. Eles devem ter uns 40 anos.
Bruno - Não sei qual é a intenção do Ibama em fazer um ato tão cruel desses. Com tanta coisa mais importante para eles cuidarem, por que tinham que apreender meus papagaios? Na Amazônia são mortos tantos bichos e eles não fazem nada. Mesmo nas cidades, há tantos animais pelas ruas abandonados sem que ninguém se preocupe. Eu amo esses bichos!
Folha Online - O Ibama disse que não devolverá os animais. O que vocês acham dessa decisão?
Bruno - Eles são muito arbitrários. Se houver alguma coisa que pudermos fazer para regularizá-los, estamos dispostos a fazer.
Leandro - Vamos fazer o possível e o impossível para pegar nossos animais de volta. Eles são nossos!
Folha Online - Por que o Ibama deveria devolver os papagaios a vocês?
Leandro - Nós moramos em uma chácara, próximo a mata nativa, onde tem até macacos e outros papagaios. E eles ficavam soltos. Se nunca fugiram, é porque gostavam de viver conosco. Nossa casa tem todas as condições para os papagaios viverem bem. Eu quero meus animais de volta!
Bruno - Nossa casa é o lar deles, é o local onde estão acostumados. Eles eram felizes lá. Meus papagaios nunca tiveram doença e eram tratados como gente. Eu cheguei até a tomar banho com o Kito. E outra coisa: quando compramos os papagaios, nem existiam as leis atuais. O Ibama está com uma responsabilidade enorme, porque se acontecer qualquer coisa com os meus papagaios, a culpa vai ser deles. Eu não acredito que eles possam sobreviver fora da nossa casa. E, se eles morrerem, o bicho vai pegar!
| Divulgação | ||
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| Kiko, Leandro e Bruno não se conformam com apreensão dos papagaios; Leandro e Bruno disseram que amam os animais e que não acreditam que os bichos possam sobreviver fora da casa da família Scornavacca |
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