Comédia faz humor com doença em "tom respeitoso"
LUCAS NEVES
da Folha de S.Paulo
Jack Nicholson esquivou-se com tal desenvoltura das divisórias da calçada em "Melhor É Impossível" que levou um Oscar. Já Tony Shalhoub, o Monk da série de TV, deixou tudo tão simétrico e limpo que foi impossível lhe negar três Emmys. Agora, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ataca seis tipos de uma vez: os protagonistas da peça "TOC TOC".
A comédia do francês Laurent Baffie foi encenada pela primeira vez em 2005, em Paris. Na sala de espera do dr. Stein, encontram-se um taxista fixado em contas matemáticas, um criador de videogames incapaz de andar sobre pisos listrados e um senhor que solta impropérios à própria revelia.
Na ala feminina, há uma beata que sempre teme ter perdido algum objeto (ou deixado algo aberto), uma mulher fissurada em limpeza e uma jovem cujas falas sempre têm "replay". O atraso do médico é a senha para o sexteto embarcar numa autogerida terapia de grupo.
O diretor Alexandre Reinecke (de "Oração para um Pé-de-Chinelo") destaca o "tom respeitoso" do texto. "A peça não esculhamba nem ridiculariza, e sim discute a doença." Para compor os tipos, os atores fizeram pesquisa no site de uma associação de portadores de TOC e assistiram à palestra de um psicanalista. "Estudamos até um certo ponto, mas chegou uma hora em que tivemos de esquecer, começar a jogar. Senão, ia ficar um drama", diz Flávia Garrafa, intérprete de Lili, a do "replay".
"TOC TOC"
Quando: estréia hoje (10); sex. e sáb., às 21h; dom., às 18h; até 20/7
Onde: teatro Cultura Artística - sala Rubens Sverner (r. Nestor Pestana, 196, Centro, São Paulo; tel. 0/xx/11/3258-3616; classificação: livre)
Quanto: R$ 60 (sex. e dom.) e R$ 80 (sáb.)
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