Entrelinhas: Espetáculo sem crescimento
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CASSIANO ELEK MACHADO da Folha de S.Paulo
O ano recém-dobrado não foi ruim qualitativamente para o livro brasileiro. A literatura tapuia deu frutos, como o novato João Paulo Cuenca, o melhor Chico Buarque, ótimos Bernardo Carvalho e Marcelo Mirisola, os "achados" Ronaldo Correia de Brito e Davi Arrigucci Jr., e por aí afora. Editoras aterrissaram, caso da Planeta, da Francis, de A Girafa, outras ganharam sustança, como a Cosac e a 34, que fizeram a dobradinha clássicos e contemporâneos, pequenas e médias colocaram ordem na casa, com a Libre.
2003 foi o ano da pompa e circunstância da 1ª Festa Internacional do Livro de Parati, da redescoberta Pau Brasil da "Caixa Modernista", da première do polpudo Prêmio Portugal Telecom. Rubem Fonseca deu as caras e ganhou prêmio de US$ 100 mil no México, a Bienal do Livro do Rio lotou, discutiu-se a "Geração 90", e com ela a literatura contemporânea brasileira.
Nem sobra muito para dizer que na quantidade o ano não foi lá shangri-la. Pesquisa da CBL e da Snel bem pouco divulgada, note-se, mostra que na primeira metade de 2003 caíram as vendas de livros. Restam as preces ao espetáculo do crescimento.
Peregrinação
Mais esquecido dos "golden boys" mineiros, Hélio Pellegrino, que faria 90 anos na terça, será louvado, enfim, em 2004. A Planeta, que recém-lançou seu "Meditação de Natal", editará inédito curado pela neta do poeta, Antonia Pellegrino. E a editora Bem-Te-Vi lança, como fez com Vinicius, o charmoso multilivro "Arquivinho" dedicado a ele.
Atas
O Fórum Social Mundial mudou para a Índia, mas o conteúdo completo da edição passada, em Porto Alegre, volta agora à tona. O Ibase lança na próxima semana cinco volumes com todas as palestras, painéis e debates do evento.
Harold Fields
O ótimo site americano Ubu colocou no ar tradução para o inglês de "Circuladô de Fulô", de Haroldo de Campos (das grandes perdas de 2003), feita por A.S. Bessa. Está em www.ubu.com/ethno/poems/decampos_galaxias.html.
E-mail: elek@folhasp.com.br


