Gilberto Gil traz sambas e diz se manter fiel à tropicália em novo CD
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
Gilberto Gil resolveu entrar no samba com seu novo trabalho "Banda Larga Cordel", que deve ser lançado em junho. As faixas "Formosa, "Amor de Carnaval", "Samba de Los Angeles" e "Gueixa no Tatame" são sambas que conversam entre si, disse o cantor, compositor e ministro da Cultura durante entrevista coletiva on-line realizada nesta quarta-feira.
Para Gil, "Formosa" tem elementos do samba de raiz e ele comentou até uma possível remissão à bossa-nova. Ele disse ter usados os "Afro-sambas", de Vinicius de Morais e Baden Powell, presença nítida na faixa.
| 28.dez.06/Alan Marques/Folha Imagem |
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| Gilberto Gil falou pouco de política, mas disse que trabalho como ministro deixa marcas em sua atividade como cantor e compositor |
O trabalho também traz forte influência da música nordestina, especialmente o forró, em "Não Grude Não".
No entanto, Gil disse se manter fiel à tropicália, estilo que, junto com Caetano Veloso, projetou o cantor no cenário nacional e internacional. "Uma vez tropicalista, tropicalista até morrer", disse Gil.
O trabalho terá algumas faixas disponibilizadas na internet, parte da estratégia de Gil de diálogo com as novas plataformas musicais. "É utilizar moderadamente para não ficar bêbado", disse o cantor, quando questionado por quê não colocar o álbum inteiro na rede.
Política
Em poucos momentos da coletiva de imprensa Gil falou sobre política. O ministro da Cultura comentou, na sessão reservada para os veículos dos Estados Unidos e do Canadá, que "terá de deixar o Ministério", mas a data ficou em aberto.
| Divulgação |
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| Após lançamento do CD em junho, Gil fará turnê de shows com o seu novo trabalho |
Ele afirmou que há muita especulação sobre tal assunto.
Neste aspecto, Gil afirmou que sua experiência como ministro se reflete em seu trabalho como cantor.
"A Arte da prestação de serviço é algo que a humanidade tem de incorporar", afirmou Gil. "O Mangabeira Unger disse que todo mundo teria de dar um dia de trabalho à sociedade, eu estou dando minha parte, com uma pequena remuneração", disse o ministro.
Gil ainda disse que as estratégias de lançamento e como vê o novo trabalho também se relacionam com várias das questões de sua atividade política, como o funcionamento da questão autoral.
Tecnologia
Não é a primeira vez que Gil fala das novas tecnologias nem uso de aparelhos. "As máquinas estão se tornando parte dos homens", disse o ministro. No CD, "Olho Mágico" é a faixa que traz um pouco desta discussão, que termina com "meu retrato celular".
Gil se diz um usuário menos que básico de tecnologia e afirmou que nem possui iPod. Para a turnê, que começa logo após o lançamento do CD, Gil disse que será permitido e até estimulado registros dos shows pela platéia com câmeras digitais e celulares.
Sobre o fato de apostar tanto em novas tecnologias, mas ainda persistir no lançamento do CD em formato físico, o cantor disse que há um público que quer o CD e não está acostumado ainda a baixar músicas na internet.
Quanto ao mercado fonográfico, Gil disse que ele passa ainda por transformações muito grandes. Segundo ele, as grandes gravadoras dominam hoje 50% do mercado fonográfico, que dividem com as independentes e as que ele classificou como "micro-competidoras".
Para Gil, as micro competidoras atingem mercados restritos, em suas regiões ou grupos sociais, que ajudam a música produzida ali circular. O cantor, no entanto, deixou em aberto sobre o que espera do futuro deste mercado.
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