Santoro interpreta vilão em alegoria sobre princípios de Mamet
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
O filme "Cinturão Vermelho", do diretor americano David Mamet, traz Rodrigo Santoro no papel de um brasileiro mafioso e a atriz Alice Braga com uma personagem que evolui de uma mulher batalhadora para uma moça mimada.
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| Rodrigo Santoro em cena de "Cinturão Vermelho"; veja galeria de imagens do filme |
O longa-metragem é uma alegoria sobre princípios e nos diversos momentos em que se pensa que vai enveredar por um certo sentimentalismo e clichês, Mamet muda o rumo das situações. O filme estréia no Brasil no dia 20 de junho.
Santoro também interpretou um vilão, Xerxes, em "300" (2006), mas sua participação em "Cinturão Vermelho" é diferente, o personagem não é essencialmente mau. Ele tem um objetivo, que é "comandar um negócio", como várias vezes expressa em inglês.
E é o personagem que dá, logo no início da trama, uma análise interessante das disputas por espaço nos Estados Unidos. Ele diz que os primeiros a reinar no ringue foram os italianos, depois, os irlandeses, os negros e que agora é a vez dos brasileiros conquistar a ascensão social por meio da luta. Neste ponto, o filme poderia enveredar por uma "epopéia de ringue", mas o filme de Mamet, assim como seu personagem principal, prefere seguir seus princípios.
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| Alice Braga integra o núcleo brasileiro da trama como Sondra; veja galeria de imagens |
A história é sobre um professor de artes marciais, Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), casado com uma bela brasileira, Sondra (Alice Braga), que enfrenta dificuldades financeiras e um pequeno episódio em sua academia, que envolve uma advogada marcada por um trauma, leva o personagem a uma série de acontecimentos.
Sondra possui dois irmãos que conseguem um certo dinheiro nos EUA e formam uma espécie de "grupo mafioso", sendo um deles interpretado por Santoro.
O núcleo brasileiro da trama foge de estereótipos, como não ter, por exemplo, nenhum mulato tocando samba ou dançando. O grande mestre, que possui o "cinturão vermelho" é um idoso de origem asiática que mora em São Paulo.
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| Chiwetel Ejiofor como o professor de artes marciais Mike Terry; veja galeria de imagens |
Tudo é tratado com naturalidade e sensibilidade no filme, inclusive as diferenças do domínio de inglês dos brasileiros --não há um sotaque padrão estigmatizado.
O único ponto estranho do núcleo brasileiro é que os irmãos de Sondra comandam um bar chamado "São Paulo", com bossa-nova no palco --até aí nada incomum--, mas ela dá a entender em uma fala que era do Rio de Janeiro. Neste ponto a origem da personagem fica um pouco confusa, mas não prejudica o andamento do longa-metragem.
Sondra surge no início do filme como mulher batalhadora, mas a figura vai perdendo força e dá lugar a uma menina mimada ou uma mulher ambiciosa demais para viver com o homem que escolheu.
Terry, Sondra, um policial e a advogada acabam, em diferentes momentos, deixando-se seduzir pelo prospecto de algo melhor com grandes doses de ingenuidade que os levam --aparentemente-- a situações sem saída, na qual qualquer ação implicaria outras pessoas.
Para tentar solucionar problemas financeiros e devido a uma questão de amizade, Terry decide romper com seus valores e disputar uma luta no ringue. Quando descobre os bastidores da competição, fica desolado e desiste de subir ao ringue para iniciar a melhor luta da arena.
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