ABL decreta luto de três dias; leia depoimentos sobre Gattai
da Folha Online
A Academia Brasileira de Letras (ABL) divulgou neste sábado um nota com declarações de alguns membros da instituição sobre a morte da escritora Zélia Gattai Amado, ocorrida hoje às 16h30 em Salvador.
Leia mais repercussão sobre a morte de Zélia Gattai
Viúva de Jorge Amado (1912-2001), Gattai é autora da obra "Anarquistas, Graças a Deus". Ela tomou posse da cadeira nº 23 da ABL (Academia Brasileira de Letras) em maio de 2002, lembrando a trajetória pessoal e profissional do marido. Gattai havia sido eleita para ocupar a cadeira de Jorge Amado na ABL, que também já tinha sido ocupada por Machado de Assis (1839-1908).
| 30.out.07/Raimundo Pacco/Folha Imagem |
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Devido à morte de Gattai, a ABL ficará de luto por três dias e a instituição informou que o acadêmico Antonio Olinto representará a ABL nas cerimônias fúnebres em Salvador e deve viajar amanhã à Bahia, segundo a instituição. A bandeira da Academia está hasteada a meio-pau. A sessão de saudade se dará na próxima quarta-feira, dia 21.
"A ABL perde com Zélia uma notável e querida colega; o Brasil, um exemplo de escritora, de militante e de mulher", disse presidente da ABL, Cícero Sandroni.
"[A morte de Zélia Gattai] priva a Academia e o Brasil de um exemplo notável de escritora que, independentemente do autor que foi Jorge Amado, soube construir seu admirável caminho. Militante exemplar de causas sociais, Zélia foi também figura de mulher que, a par da atividade intelectual, organizou uma vida em família de rara harmonia. A Academia chora a perda de uma notável e querida colega", afirmou ainda Sandroni.
"Zélia e Jorge promoveram a união do Brasil através de sua literatura e de suas vidas. Ela, paulistana, filha de imigrantes, ele, um baiano fulgurante. Na paixão dos dois, os brasileiros de todos os quadrantes se reconheciam e se queriam bem", diz ainda o comunicado, citando Sandroni.
Leia comentários:
Antônio Olinto
"O casal Jorge Amado e Zélia Gattai Amado foram meus amigos e de Zora durante mais de cinqüenta anos. Viajamos por toda a Europa e muitos países das Américas. Fiz muitas conferências sobre a obra dos dois. Primeiro, morre Jorge, em seguida minha Zora, e, agora, Zélia. Minha vida ficou mais pobre, mas a memória deles está comigo em tudo que faço"
Eduardo Portella
"A literatura brasileira perde um caso raro de memorialista sem jamais ser autocentrada. O Brasil perde uma guerreira social. E eu perco uma querida e insubstituível amiga"
Marcos Vilaça
"Zélia foi mãe e esposa exemplar e uma extraordinária contadora de histórias e, como tal, entrou na ABL com muito merecimento"
Domício Proença Filho
"Ressalto Zélia e sua dedicação a Jorge Amado, sem a qual seu perfil e seu caminho independente como escritora não se explicam"
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Exemplo de companherismo e de atitude; de dedicação pessoal à família e, sobretudo, à cultura brasileira. Viveu adversidades sem jamais ter deixado de ser doce, sempre com palavras gentis e um sorriso no rosto. Adeus Zélia. Vá ao encontro de Jorge. Nós, aqui, continuaremos a nos deliciar com suas lembranças e suas obras!
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Caríssima senhora Zélia Gattai Amado:
- É um enorme privilégio poder lhe escrever está carta e de haver falado com a senhora no dia 7 de setembro de 2006 pelo telefone. Me chamo Silvio Luiz da Rocha, tenho 38 anos e trabalho no ramo de telecomunicações. Nas horas vagas, sou pesquisador autônomo e voluntário do Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo.A muito tempo venho acompanhando suas obras e lhe digo, sem sombra de dúvida, realmente são fantásticas e sensíveis ao público leitor. Em 1984, assisti pela Rede Globo de televisão a mini série "Anarquistas Graças a Deus" e só poderia dizer o quanto sou grato pela senhora por haver escrito esta obra, pois muito me inspirou para que realizasse um dos sonhos que levou 23 anos para logra-lo. No ano de 2002, após uma forte depressão que sofri, busquei forças através das pesquisas genealógicas que iniciei sobre meus ancestrais,( italianos e brasileiros) da parte paterna e materna, começando do ponto zero, fiz em alguns meses uma busca profunda e complexa, porém com grande êxito.
A princípio, comecei pelo meu avô materno (Benedicto Aparecido Gomes de Almeida) o mesmo havia lutado na revolução constitucionalista de 1932 e, ao saber disso, queria sepulta-lo na cripta do monumento do soldado de 32 (Obelisco). A partir daí , começou minha " ODISSÉIA" que me levou depois de alguns meses para Itália. Minha avó materna ( Rosa Olivia Zuin de Almeida ) foi uma das pessoas que entraram nesta pesquisa e, que por sinal, foi uma grande lutadora e minha heroína particular que após tantas lutas pela causa socialista, não havia recebido sequer uma homenagem a sua altura. Muitas portas se fecharam para uma homenagem, creio que pelo fato dela ser comunista, pois ninguém se mostrou interessado em fazer nada . Minha luta foi difícil e árdua , porém ao acessar a internet, após explicar a eles o ocorrido, consegui através de um site, uma homenagem a ela, pelo Partido Comunista de Madrid, com o título: "ROSA OLIVA, HISTÓRICA LUCHADORA COMUNISTA BRASILEÑA". Os espanhóis foram muito sensíveis ao meu apelo e fiquei surpreso com tal homenagem, pois minha avó abriu o espaço "BRASIL" que até então não havia neste site e, que sem dúvida nenhuma, enriqueceu mais a presença das mulheres socialistas brasileiras.
Quanto a Itália, bem, seria uma longa "giornata" contar tudo, porém vou tentar ser breve. Após haver feito as homenagens aos meus avós, busquei saber qual origem era minha avó materna, a Rosa, e comecei a vasculhar pela internet de onde vieram os pais dela. Procurei pela minha bisavó materna ( Luigia Bellotto) que viera da região do Veneto-Treviso, aos 10 anos de idade, com seus pais e mais 4 irmãos. Ela havia vivido no interior de São Paulo ( Caçapava) e lá ,conheceu meu bisavô materno ( Prodoscimo Zuin ),ele da região do Veneto-Padova, veio ao Brasil em 1896, após ficar viúvo e conheceu minha bisavó Luigia ao chegar ao Brasil, onde depois contraiu matrimônio. Depois de obter estas informações (pois até então não tinha nenhuma evidência) obtive tudo através de muito esforço e consegui encontrar meus parentes de origem italiana, através de documentos que o governo italiano me enviou e que foram conclusivos para alcançar a outra parte de meus ancestrais que ficaram na Itália.Realmente foi uma grande festa, pois além de descobrir outra parte de minha família, ganhei como prêmio as passagens para viajar e conhecer meus parentes em 2003.
Onde entra os "Anarquistas Graças a Deus" nesta história? Bem, entra o espírito sonhador dos italianos de uma vida melhor e digna; a luta pela causa do povo, dos operários e de todos que sofriam as injustiças sociais da época- como foi a luta de sua mãe; o esforço e a dedicação de seu pai em relação a vida e a família e, principalmente a garra de um povo, onde espelhei parte de minha vida nesta mini série e que tenho muito agradecer a senhora por esse livro que escreveu. Coincidência ou não, somos uma família de 5 irmãos !!!!!
Gostaria muito que a senhora lesse as matérias que envio, não há necessidade de fazer um longo comentário, porém qualquer nota que escreva, sobre qualquer assunto, principalmente sobre minha avó Rosa, ficarei honrado e orgulhoso de saber que a senhora Zélia Gattai Amado leu um "pedaço de minha existência".
Agradeço muito por tudo e aguardo sua resposta.
Atenciosamente
Silvio Luiz da Rocha
São Paulo, 9 de setembro de 2006
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