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17/05/2008 - 20h11

Leia repercussão sobre a morte de Zélia Gattai

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da Folha de S.Paulo
com Folha Online

Confira depoimentos sobre a morte da escritora Zélia Gattai Amado, ocorrida na tarde desta sábado em Salvador. O velório de Gattai prossegue até amanhã, quando o corpo da viúva de Jorge Amado (1912-2001) será cremado.

Arnaldo Niskier, membro da Academia Brasileira de Letras

"Tive relação de profunda amizade e admiração com o casal. O Brasil perdeu uma grande escritora e uma grande mulher, que soube ser a senhora Jorge Amado mas também ser Zélia Gattai Amado. Teve livros que se transformaram em peças de TV e teve seu espaço e brilho próprios, daí o merecimento de estar na ABL, onde participava ativamente e era muito querida. É uma sensação de vazio e perda profunda de perder Jorge Amado e agora Zélia"

Reprodução
Zélia Gattai e o escritor Jorge Amado, em foto feita com disparador automático; escritora morreu hoje aos 91 anos em Salvador
Zélia Gattai e o escritor Jorge Amado, em foto feita com disparador automático; escritora morreu hoje aos 91 anos em Salvador

Alberto da Costa e Silva, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras

"Ela foi uma das grandes memorialistas do Brasil no século 20, num século pródigo de memorialistas. Foi uma memorialista não só de sua história, mas da história de Jorge Amado e de um longo período do século passado. Era sobretudo uma amiga carinhosa, não se poupava da amizade"

Tarcísio Padilha, ex-presidente da ABL

"A morte dela simboliza uma perda muito significativa para a Casa [ABL], para a cultura e a literatura brasileira. Esta notícia nos faz sofrer duplamente, devido ao elo com Jorge Amado"

João Ubaldo Ribeiro, escritor e acadêmico da ABL

"Ela era minha comadre, viúva do meu compadre [o escritor Jorge Amado, morto em 2001]. Conviveu comigo durante anos. Tenho que processar isso em minha cabeça (...) É quase como se um membro de minha família tivesse ido embora. Não sei o que dizer"

Cícero Sandroni, presidente da ABL

"Zélia era uma mulher que transpirava alegria e alegria de viver. Quando a recebíamos na ABL era uma festa, porque é uma pessoa muito iluminada e afetuosa. Foi uma perda não só para a ABL, como para a literatura brasileira e universal, uma vez que ela foi traduzida em muitas línguas. Seu casamento com Jorge Amado foi um encontro de escritores de idéias revolucionárias: ela, de uma família anarquista, e ele 'marxista, graças a Deus', como brincava. Ambos com idéias de transformar o mundo, e foi assim que viveram. Ela, escritora um pouco tardia, reproduziu muito bem a vida dos imigrantes italianos que ajudaram a construir São Paulo. Zélia significa para a literatura um marco fundamental na memorialística, especialmente em São Paulo. Ambos tiveram obras literárias relevantes: Jorge Amado, com sua baianidade voluptuosa, de raízes africanas; ela, mais peninsular [referência à Itália], uma grande escritora. A ABL sente muito, estamos todos muito comovidos com a perda"

"Luiz Inácio Lula da Silva*

"Foi com pesar que recebi a notícia da morte da escritora Zélia Gattai. Filha de imigrantes italianos, nascida em São Paulo e baiana de coração, Zélia foi um símbolo da força, da doçura e perseverança da mulher brasileira. Características presentes em toda a sua literatura. Uma companheira de todas as horas para Jorge Amado. A seus parentes, amigos da Academia Brasileira de Letras e leitores, meus sinceros pêsames"

Marta Suplicy, ministra do Turismo

"À paulistana Zélia Gattai, baiana por merecimento, mulher de talento extraordinário, rendo minha homenagem por engradecer todas nós, brasileiras, e por uma vida de muito trabalho, dedicação, coerência e valores. Mulher de luz própria e companheira incansável do nosso escritor maior, Jorge Amado"

Jaques Wagner, governador da Bahia

"Lamento a perda muito grande para todos nós pela expressiva figura intelectual que marcou época na literatura. Agora acredito que eles [Zélia e Jorge Amado] voltarão a ficar juntos em outra dimensão"

Antônio Olinto, crítico literário e membro da ABL

"O casal Jorge Amado e Zélia Gattai Amado foram meus amigos e de Zora durante mais de cinqüenta anos. Viajamos por toda a Europa e muitos países das Américas. Fiz muitas conferências sobre a obra dos dois. Primeiro, morre Jorge, em seguida minha Zora, e, agora, Zélia. Minha vida ficou mais pobre, mas a memória deles está comigo em tudo que faço"

Eduardo Portella, professor e imortal da ABL

"A literatura brasileira perde um caso raro de memorialista sem jamais ser autocentrada. O Brasil perde uma guerreira social. E eu perco uma querida e insubstituível amiga"

Marcos Vilaça, ex-presidente da ABL

"Zélia foi mãe e esposa exemplar e uma extraordinária contadora de histórias e, como tal, entrou na ABL com muito merecimento"

Domício Proença Filho, escritor e acadêmico

"Ressalto Zélia e sua dedicação a Jorge Amado, sem a qual seu perfil e seu caminho independente como escritora não se explicam"

Luis Fernando Veríssimo, escritor gaúcho

"Ela foi a grande companheira do Jorge Amado e, ao mesmo tempo, conseguiu manter a identidade dela como escritora. Lembro de estar junto do casal [Amado], na Bahia. Foi por pouco tempo, mas foi muito agradável o contato"

ACM Neto, deputado federal pelo DEM

"A Bahia e o Brasil perdem com a morte de Zélia Gattai um exemplo de vida que influenciou várias gerações de mulheres. Zélia Gattai soube ser ao mesmo tempo uma mulher independente e doce, que conseguiu construir uma carreira literária brilhante, mesmo vivendo ao lado de um dos maiores escritores da língua portuguesa --Jorge Amado. Eu e minha família estamos muito tristes, pois Zélia, assim como Jorge, eram grandes amigos do senador Antonio Carlos Magalhães e de minha avó Arlette Magalhães. Ela amava a Bahia e especialmente Salvador"

ACM Júnior, senador pelo DEM

'Zélia Gattai adotou a Bahia como sua terra, embora tivesse nascido em São Paulo. A sua perda deixou a mim e a minha família, principalmente a minha mãe Arlette --as duas eram muito amigas--, emocionados. Foi através da amizade entre Jorge Amado e o meu pai, o senador Antonio Carlos Magalhães, que tivemos a oportunidade de conhecer Zélia. Foi a amizade entre os dois que uniu as nossas duas famílias"

Comentários dos leitores
Marcelo Francisco de Assis (7) 19/05/2008 12h44
Marcelo Francisco de Assis (7) 19/05/2008 12h44
SAO PAULO / SP
Zelia, obrigado pela sua formosa contribuição à cultura de nosso país e por engrandecer, ao lado de Jorge Amado, a nossa pátria. Deus te abençoe por tudo. Siga feliz em outra dimensão! 13 opiniões
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MARCEL VALLUIS (1) 18/05/2008 12h21
MARCEL VALLUIS (1) 18/05/2008 12h21
SAO PAULO / SP
Zélia foi-nos um grande exemplo.
Exemplo de companherismo e de atitude; de dedicação pessoal à família e, sobretudo, à cultura brasileira. Viveu adversidades sem jamais ter deixado de ser doce, sempre com palavras gentis e um sorriso no rosto. Adeus Zélia. Vá ao encontro de Jorge. Nós, aqui, continuaremos a nos deliciar com suas lembranças e suas obras!
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Silvio Luiz da Rocha (1) 18/05/2008 10h42
Silvio Luiz da Rocha (1) 18/05/2008 10h42
SAO PAULO / SP
Carta escrita a sra.Zélia Gattai antes de seu falecimento,em agradecimento ao seu trabalho que muito me ajudou em minha busca....obrigado Zélia.
Caríssima senhora Zélia Gattai Amado:
- É um enorme privilégio poder lhe escrever está carta e de haver falado com a senhora no dia 7 de setembro de 2006 pelo telefone. Me chamo Silvio Luiz da Rocha, tenho 38 anos e trabalho no ramo de telecomunicações. Nas horas vagas, sou pesquisador autônomo e voluntário do Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo.A muito tempo venho acompanhando suas obras e lhe digo, sem sombra de dúvida, realmente são fantásticas e sensíveis ao público leitor. Em 1984, assisti pela Rede Globo de televisão a mini série "Anarquistas Graças a Deus" e só poderia dizer o quanto sou grato pela senhora por haver escrito esta obra, pois muito me inspirou para que realizasse um dos sonhos que levou 23 anos para logra-lo. No ano de 2002, após uma forte depressão que sofri, busquei forças através das pesquisas genealógicas que iniciei sobre meus ancestrais,( italianos e brasileiros) da parte paterna e materna, começando do ponto zero, fiz em alguns meses uma busca profunda e complexa, porém com grande êxito.
A princípio, comecei pelo meu avô materno (Benedicto Aparecido Gomes de Almeida) o mesmo havia lutado na revolução constitucionalista de 1932 e, ao saber disso, queria sepulta-lo na cripta do monumento do soldado de 32 (Obelisco). A partir daí , começou minha " ODISSÉIA" que me levou depois de alguns meses para Itália. Minha avó materna ( Rosa Olivia Zuin de Almeida ) foi uma das pessoas que entraram nesta pesquisa e, que por sinal, foi uma grande lutadora e minha heroína particular que após tantas lutas pela causa socialista, não havia recebido sequer uma homenagem a sua altura. Muitas portas se fecharam para uma homenagem, creio que pelo fato dela ser comunista, pois ninguém se mostrou interessado em fazer nada . Minha luta foi difícil e árdua , porém ao acessar a internet, após explicar a eles o ocorrido, consegui através de um site, uma homenagem a ela, pelo Partido Comunista de Madrid, com o título: "ROSA OLIVA, HISTÓRICA LUCHADORA COMUNISTA BRASILEÑA". Os espanhóis foram muito sensíveis ao meu apelo e fiquei surpreso com tal homenagem, pois minha avó abriu o espaço "BRASIL" que até então não havia neste site e, que sem dúvida nenhuma, enriqueceu mais a presença das mulheres socialistas brasileiras.
Quanto a Itália, bem, seria uma longa "giornata" contar tudo, porém vou tentar ser breve. Após haver feito as homenagens aos meus avós, busquei saber qual origem era minha avó materna, a Rosa, e comecei a vasculhar pela internet de onde vieram os pais dela. Procurei pela minha bisavó materna ( Luigia Bellotto) que viera da região do Veneto-Treviso, aos 10 anos de idade, com seus pais e mais 4 irmãos. Ela havia vivido no interior de São Paulo ( Caçapava) e lá ,conheceu meu bisavô materno ( Prodoscimo Zuin ),ele da região do Veneto-Padova, veio ao Brasil em 1896, após ficar viúvo e conheceu minha bisavó Luigia ao chegar ao Brasil, onde depois contraiu matrimônio. Depois de obter estas informações (pois até então não tinha nenhuma evidência) obtive tudo através de muito esforço e consegui encontrar meus parentes de origem italiana, através de documentos que o governo italiano me enviou e que foram conclusivos para alcançar a outra parte de meus ancestrais que ficaram na Itália.Realmente foi uma grande festa, pois além de descobrir outra parte de minha família, ganhei como prêmio as passagens para viajar e conhecer meus parentes em 2003.
Onde entra os "Anarquistas Graças a Deus" nesta história? Bem, entra o espírito sonhador dos italianos de uma vida melhor e digna; a luta pela causa do povo, dos operários e de todos que sofriam as injustiças sociais da época- como foi a luta de sua mãe; o esforço e a dedicação de seu pai em relação a vida e a família e, principalmente a garra de um povo, onde espelhei parte de minha vida nesta mini série e que tenho muito agradecer a senhora por esse livro que escreveu. Coincidência ou não, somos uma família de 5 irmãos !!!!!
Gostaria muito que a senhora lesse as matérias que envio, não há necessidade de fazer um longo comentário, porém qualquer nota que escreva, sobre qualquer assunto, principalmente sobre minha avó Rosa, ficarei honrado e orgulhoso de saber que a senhora Zélia Gattai Amado leu um "pedaço de minha existência".
Agradeço muito por tudo e aguardo sua resposta.
Atenciosamente
Silvio Luiz da Rocha
São Paulo, 9 de setembro de 2006
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