Ilustrada
19/05/2008 - 10h29

"Linha de Passe" é bem avaliado pela crítica em Cannes

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SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo, em Cannes

Depois de calorosa acolhida do público em sua estréia, no sábado, o filme brasileiro concorrente à Palma de Ouro "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, recebeu ontem elogios da crítica internacional no Festival de Cannes.

Guillaume Horcajuelo /Efe
CAN06 CANNES (FRANCIA) 17.05.08 Los directores brasileños Walter Salles (izqda) y Daniela Thomas posan durante el pase gráfico de la película 'Linha de Passe', que participa en la 61º edición del Festival de Cine de Cannes (Francia), el 17 de mayo de 2008. EFE/Guillaume Horcajuelo
Brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas posam no 61º Festival de Cannes, na França

"Sólido e envolvente" foi como o crítico Jonathan Romney, da revista inglesa "Screen", adjetivou o longa, por evocar "a dureza que é manter corpo e mente juntos na maior cidade brasileira [São Paulo]" e oferecer "uma alternativa mais realista aos românticos e estilizadamente cintilantes filmes com os quais o cinema brasileiro vem sendo identificado".

"Linha de Passe" segue o cotidiano de uma família de trabalhadores da periferia paulistana. "[Merece] Cumprimentos o conjunto de boas atuações que torna altamente singular cada membro da família", assinala Debora Young, da "Hollywood Reporter". A resenha da "Variety", por Todd McCarthy, também se refere ao retrato que o "Linha de Passe" faz dos jovens que buscam uma saída para a pobreza sem cair no crime como uma visão "alternativa" adotada pelo filme, que "toca em temas sérios sem sublinhar sua autoimportância".

Salles disse à Folha que "não houve intenção de ir contra uma tendência do cinema brasileiro, e sim de falar de uma parte da juventude que não era retratada". Ele se refere aos jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade. "O mundo das estatísticas [de violência] é diferente do mundo da rua", afirmou.

"Linha de Passe" foi filmado na Cidade Líder, em São Paulo. "Não há figurantes", diz Thomas. Os personagens laterais -jovens aspirantes a uma carreira no futebol e evangélicos- reencenam situações comuns à sua biografia, como a participação nas "peneiras" dos clubes para a seleção de jogadores ou em cultos religiosos. Para Salles, "há indícios de que o cinema voltou a ter relação direta com a realidade" e de que os filmes da competição em Cannes refletem "o desejo dos cineastas de falar do seu tempo".

Os dois longas exibidos ontem na disputa corroboram tal afirmação. O italiano "Gomorra", de Matteo Garrone, adapta o best-seller "Camorra", de Roberto Saviano, sobre as operações criminosas e o poderio econômico dessa organização mafiosa. Por conta das denúncias, Saviano foi ameaçado de morte e vive sob proteção. O autor foi a Cannes com esquema de segurança reforçado.

O filipino "Serbis" (serviço, como programa sexual), de Brillante Mendoza, entrelaça tipos urbanos em Manila, a partir da história de uma família que vive num híbrido de casa e cinema pornô, onde casais gays têm encontros sexuais.

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