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Ilustrada
19/05/2008 - 12h16

Corpo de Zélia Gattai é cremado em Salvador

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MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online

Foi cremado, no fim da manhã desta segunda-feira (19), o corpo da escritora paulistana Zélia Gattai (1916-2008).

Fundação Casa de Jorge Amado
Escritora Zélia Gattai
Corpo da escritora Zélia Gattai (foto) foi cremado nesta manhã

Funcionários do crematório do cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, em Salvador, informaram que o procedimento começou por volta das 11h.

As cinzas serão entregues à família e deverão ser depositadas na próxima quarta-feira (21) debaixo da mangueira do jardim da casa onde a escritora viveu ao lado de Jorge Amado (1912-2001) por quase 40 anos, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, onde estão também as cinzas do escritor.

Zélia Gattai morreu no último sábado (17), às 16h30, de parada cardiorrespiratória, no hospital da Bahia, onde estava internada.

Fundação Casa de Jorge Amado
Escritora Zélia Gattai
Além de escritora, Zélia Gattai também era fotógrafa

Ela completaria 92 anos no próximo dia 2 de julho. Apesar de paulistana, fazia aniversário no dia da Independência da Bahia, terra que adotou e pela qual foi adotada.

Caçula dos cinco filhos dos imigrantes italianos Angelina e Ernesto Gattai, Zélia lançou o primeiro livro aos 63 anos, incentivada pelo marido a contar as memórias da infância passada em São Paulo, no começo do século 20. O livro "Anarquistas, Graças a Deus", lançado em 1979, fez sucesso e virou minissérie na TV Globo em 1984, com direção de Walter Avancini.

Zélia Gattai/Fundação Casa de Jorge Amado
Pierre Verger, Jorge Amado e Carybé
Zélia Gattai é responsável por este registro dos amigos Pierre Verger, Jorge Amado e Carybé

Em seus livros, contou sua vida ao lado do marido, em viagens pelo mundo. Além de memorialista, Zélia escreveu dois livros infantis: "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991).

No terreno do romance, estreou em 1995, com "Crônica de uma Namorada". Além de escritora, Zélia também era fotógrafa e registrou importantes momentos da vida do marido. Em 1987, lançou "Reportagem Incompleta", um livro com suas fotografias.

Memorial

Ontem, durante o velório, o filho João Jorge Amado manifestou o interesse em transformar a Casa do Rio Vermelho, atualmente abandonada, em um memorial. O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), disse que vai criar uma comissão para estudar a obra. O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse que, "se for a vontade da família", o governo pode tombar a casa.

Confira a bibliografia completa da escritora. Veja galeria de imagens.

Com informações da Folha de S.Paulo e Agência Folha.

Comentários dos leitores
Marcelo Francisco de Assis (7) 19/05/2008 12h44
Marcelo Francisco de Assis (7) 19/05/2008 12h44
SAO PAULO / SP
Zelia, obrigado pela sua formosa contribuição à cultura de nosso país e por engrandecer, ao lado de Jorge Amado, a nossa pátria. Deus te abençoe por tudo. Siga feliz em outra dimensão! 13 opiniões
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MARCEL VALLUIS (1) 18/05/2008 12h21
MARCEL VALLUIS (1) 18/05/2008 12h21
SAO PAULO / SP
Zélia foi-nos um grande exemplo.
Exemplo de companherismo e de atitude; de dedicação pessoal à família e, sobretudo, à cultura brasileira. Viveu adversidades sem jamais ter deixado de ser doce, sempre com palavras gentis e um sorriso no rosto. Adeus Zélia. Vá ao encontro de Jorge. Nós, aqui, continuaremos a nos deliciar com suas lembranças e suas obras!
19 opiniões
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Silvio Luiz da Rocha (1) 18/05/2008 10h42
Silvio Luiz da Rocha (1) 18/05/2008 10h42
SAO PAULO / SP
Carta escrita a sra.Zélia Gattai antes de seu falecimento,em agradecimento ao seu trabalho que muito me ajudou em minha busca....obrigado Zélia.
Caríssima senhora Zélia Gattai Amado:
- É um enorme privilégio poder lhe escrever está carta e de haver falado com a senhora no dia 7 de setembro de 2006 pelo telefone. Me chamo Silvio Luiz da Rocha, tenho 38 anos e trabalho no ramo de telecomunicações. Nas horas vagas, sou pesquisador autônomo e voluntário do Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo.A muito tempo venho acompanhando suas obras e lhe digo, sem sombra de dúvida, realmente são fantásticas e sensíveis ao público leitor. Em 1984, assisti pela Rede Globo de televisão a mini série "Anarquistas Graças a Deus" e só poderia dizer o quanto sou grato pela senhora por haver escrito esta obra, pois muito me inspirou para que realizasse um dos sonhos que levou 23 anos para logra-lo. No ano de 2002, após uma forte depressão que sofri, busquei forças através das pesquisas genealógicas que iniciei sobre meus ancestrais,( italianos e brasileiros) da parte paterna e materna, começando do ponto zero, fiz em alguns meses uma busca profunda e complexa, porém com grande êxito.
A princípio, comecei pelo meu avô materno (Benedicto Aparecido Gomes de Almeida) o mesmo havia lutado na revolução constitucionalista de 1932 e, ao saber disso, queria sepulta-lo na cripta do monumento do soldado de 32 (Obelisco). A partir daí , começou minha " ODISSÉIA" que me levou depois de alguns meses para Itália. Minha avó materna ( Rosa Olivia Zuin de Almeida ) foi uma das pessoas que entraram nesta pesquisa e, que por sinal, foi uma grande lutadora e minha heroína particular que após tantas lutas pela causa socialista, não havia recebido sequer uma homenagem a sua altura. Muitas portas se fecharam para uma homenagem, creio que pelo fato dela ser comunista, pois ninguém se mostrou interessado em fazer nada . Minha luta foi difícil e árdua , porém ao acessar a internet, após explicar a eles o ocorrido, consegui através de um site, uma homenagem a ela, pelo Partido Comunista de Madrid, com o título: "ROSA OLIVA, HISTÓRICA LUCHADORA COMUNISTA BRASILEÑA". Os espanhóis foram muito sensíveis ao meu apelo e fiquei surpreso com tal homenagem, pois minha avó abriu o espaço "BRASIL" que até então não havia neste site e, que sem dúvida nenhuma, enriqueceu mais a presença das mulheres socialistas brasileiras.
Quanto a Itália, bem, seria uma longa "giornata" contar tudo, porém vou tentar ser breve. Após haver feito as homenagens aos meus avós, busquei saber qual origem era minha avó materna, a Rosa, e comecei a vasculhar pela internet de onde vieram os pais dela. Procurei pela minha bisavó materna ( Luigia Bellotto) que viera da região do Veneto-Treviso, aos 10 anos de idade, com seus pais e mais 4 irmãos. Ela havia vivido no interior de São Paulo ( Caçapava) e lá ,conheceu meu bisavô materno ( Prodoscimo Zuin ),ele da região do Veneto-Padova, veio ao Brasil em 1896, após ficar viúvo e conheceu minha bisavó Luigia ao chegar ao Brasil, onde depois contraiu matrimônio. Depois de obter estas informações (pois até então não tinha nenhuma evidência) obtive tudo através de muito esforço e consegui encontrar meus parentes de origem italiana, através de documentos que o governo italiano me enviou e que foram conclusivos para alcançar a outra parte de meus ancestrais que ficaram na Itália.Realmente foi uma grande festa, pois além de descobrir outra parte de minha família, ganhei como prêmio as passagens para viajar e conhecer meus parentes em 2003.
Onde entra os "Anarquistas Graças a Deus" nesta história? Bem, entra o espírito sonhador dos italianos de uma vida melhor e digna; a luta pela causa do povo, dos operários e de todos que sofriam as injustiças sociais da época- como foi a luta de sua mãe; o esforço e a dedicação de seu pai em relação a vida e a família e, principalmente a garra de um povo, onde espelhei parte de minha vida nesta mini série e que tenho muito agradecer a senhora por esse livro que escreveu. Coincidência ou não, somos uma família de 5 irmãos !!!!!
Gostaria muito que a senhora lesse as matérias que envio, não há necessidade de fazer um longo comentário, porém qualquer nota que escreva, sobre qualquer assunto, principalmente sobre minha avó Rosa, ficarei honrado e orgulhoso de saber que a senhora Zélia Gattai Amado leu um "pedaço de minha existência".
Agradeço muito por tudo e aguardo sua resposta.
Atenciosamente
Silvio Luiz da Rocha
São Paulo, 9 de setembro de 2006
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