Ilustrada
20/05/2008 - 14h04

Maio de 68 permaneceu em relações humanas, diz psicanalista

Publicidade

DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

Testemunha do Maio de 68 na Europa, o psicanalista Contardo Calligaris disse que, para ele, o grande ganho do movimento foi a mudança nas relações humanas que gerou.

O psicanalista afirmou que foi a Paris para presenciar os protestos da época e que, no momento, estava mais ligado à contra-cultura norte-americana do que à política européia.

Calligaris, que também é colunista da Folha de S.Paulo, deu as declarações durante sabatina realizada nesta terça-feira no Teatro Folha em São Paulo sobre o lançamento do primeiro livro de ficção do psicanalista, "Contos de Amor", pela Companhia das Letras. O evento, iniciado às 11h, terminou às 13h04.

"Tinha muito mais contato com a contra-cultura americana do que com a política européia", disse Calligaris ao comentar que na época era casado com uma americana que tinha família em vários pontos dos Estados Unidos e que viajava com freqüência ao país.

"O que mais importava era a revolução na maneira de pensar e de se relacionar", disse Calligaris, que também afirmou que o que mais lhe atraiu na época foi o que descreveu como utopia concreta --a maneira de pensar as interações humanas.

Para o psicanalista, os efeitos do Maio de 68 podem ser contestados, mas o movimento mudou definitivamente a maneira como as relações vigoravam até os anos 50 com a introdução da tolerância, do acesso ao próprio desejo e a forma igualitária de se relacionar com o corpo do outro.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca