Ilustrada
21/05/2008 - 22h50

Atores falam sobre filmes de Che dirigidos por Steven Soderbergh

da Efe, em Cannes

O diretor americano Steven Soderbergh apresentou nesta quarta-feira à noite em Cannes seus dois filmes sobre o revolucionário Ernesto Che Guevara. Eles serão os "definitivos" sobre o argentino, disseram quatro dos atores que participam da produção, Jorge Perugorría, Carlos Bardem, Oscar Jaenada e Demián Bichir.

Os quatro destacaram em diferentes entrevistas o trabalho realizado tanto por Soderbergh quanto pelo protagonista, o ator porto-riquenho Benicio del Toro interpreta Ernesto Che Guevara.

Eric Gaillard/Reuters
Diretor Steven Soderbergh chega ao tapete vermelho antes da exibição de seus filmes
Diretor Steven Soderbergh chega ao tapete vermelho antes da exibição de seus filmes

Os filmes, "The Argentine" e "Guerrilla", que estrearão em setembro e novembro, respectivamente, foram exibidos hoje em Cannes de uma só vez, em um total de 4h28min, mas quando forem aos cinemas serão transmitidos separadamente.

O cubano Jorge Perugorría se mostrou entusiasmado com o filme, que qualificou de trabalho muito sério e rigoroso, fruto dos anos que tanto Soderbergh quanto Del Toro investigaram a figura do revolucionário.

O filme narra o início da revolução --a parte mais bonita, segundo Perugorría-- e o final do Che na Bolívia.

"O fato de que um artista como Soderbergh, um diretor de muitíssimo talento e sério, tenha se interessado por esta parte de nossa história e que haja um olhar diferente de uma nova geração" disse Perugorría sobre o que lhe parecia mais importante no trabalho.

"Para nós é começar a ver nossa história com perspectiva porque estamos em um momento de transformação, de mudança", afirmou o ator cubano.

Perugorría interpreta Joaquín, um camponês que se integra quase por acaso na revolução desde o primeiro momento, mas que não acompanhou Che na tomada de Santa Clara.

E um líder mineiro, Moisés Guevara (nenhum parentesco com Che), é o papel do espanhol Carlos Bardem, que se mostrou igualmente encantado por sua participação no filme e nervoso por ver o resultado final.

"Tive a noção desde o princípio de que estávamos fazendo algo grande, sobre os últimos idealistas", disse Bardem.

Em sua opinião, Soderbergh soube criar o ambiente necessário que espera que tenha se transferido à tela e ressaltou o trabalho de improvisação constante que realizavam e a liberdade formal do filme, com uma estrutura similar à de um documentário.

Por sua parte, o Fidel Castro de ficção, o ator mexicano Demián Bichir reconheceu que entrou tanto no papel do líder cubano que não deixava de falar e gesticular como ele.

Não menos entusiasmado se mostrou o espanhol Oscar Jaenada, que afirmou que, para ele, Che "é um ícone, é um Jesus Cristo".

Seu papel de Darío, um mineiro boliviano, aparece no segundo filme.

Jaenada ressaltou igualmente a margem de improvisação que lhes deixava Soderbergh.

 

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