"Filho pródigo", ator Luis Miranda volta à Bahia
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
O ator baiano Luis Miranda, 38, tal qual o filho pródigo da passagem bíblica, resolveu voltar à sua terra 16 anos depois da partida. Após morar em São Paulo e no Rio, ele decidiu, há um ano, voltar para Salvador, cidade onde foi criado. Em julho de 2007, começou o ensaio da volta, concretizada seis meses depois.
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| Luis Miranda confessou que tem um carinho especial por dona Editi |
E a vida nova está produtiva. O ator está atualmente me cartaz na cidade com o espetáculo "7 Conto - A Comédia", no teatro Isba. A peça já foi vista por mais de 20 mil pessoas em todo o Brasil. No caminho para o teatro, o ator conversou com a Folha Online, por telefone, nesta sexta-feira (23).
"A volta está sendo maravilhosa, o espetáculo voltou mais amadurecido e eu o deixei com a cara da Bahia. Ele tem essa característica do humor baiano, que eu levei para a Terça Insana [espetáculo de comédia stand up de São Paulo], essa coisa de homem fazendo papéis femininos", disse.
O ator garantiu que deseja ficar em Salvador: "É uma relação de morador. Quero produzir coisas aqui. Claro que não vou deixar de trabalhar no Rio ou em São Paulo. Mas os tempos modernos, mesmo com o caos aéreo, permitem que você more em um lugar e possa trabalhar em outros. Só precisa se organizar. Vim para Salvador por uma questão de qualidade de vida", afirmou o ator, que mora no bairro do Rio Vermelho [o mesmo onde moraram Jorge Amado e Zélia Gattai.
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| Luis Miranda vive a garotinha Caroline em "7 Conto - A Comédia" |
Até o momento, a TV não tem sido muito grata com Luis Miranda. Sua última aparição expressiva foi como o Moreno, personagem coadjuvante do seriado "Sob Nova Direção". Miranda diz que aceitou o papel por ter partido de um convite das amigas Ingrid Guimarães e Heloísa Périssé, protagonistas da série.
Se a TV esnoba o artista, ele mostra talento em outras searas. Miranda chamou a atenção em produções teatrais como "O Livro de Jô", do Teatro da Vertigem, ou no cinema nacional, em longas como "Meu Nome Não É Johnny" (2008) e "O Signo da Cidade" (2007) e "Bicho de Sete Cabeças" (2001). Neste ano, participa do longa "Quincas Berro D'água", de Sérgio Machado, ao lado dos também baianos Wagner Moura, João Miguel e Lázaro Ramos. E também vai integrar o elenco do longa "Trampolim do Forte", de João Rodrigo Matos.
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| Sucesso nos palcos e no cinema, TV não dá espaço a Luis Miranda |
"A televisão nunca foi um veículo que eu desse um grau de importância para focar nele minha vida. Aceito os pequenos papeis quando têm uma coisa interessante. Não acredito nos grandes personagens. Acho que nós temos que ficar o tempo inteiro provando que a gente é bom, como acontece com o Lázaro [Ramos]. Depois do Moreno, resolvi não ingressar em outra coisa na televisão", afirmou o ator, formado em artes cênicas pela EAD (Escola de Arte Dramática) da USP e em dança pela Ufba (Universidade Federal da Bahia).
Luis Miranda abriu, junto com o produtor cultural Vagner Luciano, a produtora Cocada-Puxa, com o objetivo de produzir peças em Salvador e levá-las ao eixo Rio-São Paulo.
Discurso político
Em "7 Conto - A Comédia", Luis Miranda surge na pele de sete personagens criados por ele vão ao âmago do Brasil, com direção da colega Ingrid Guimarães. Em cena, estão personagens já clássicos para quem conhece a trajetória do ator, como a engraçadíssima líder comunitária dona Editi, ou a menina Caroline, que se ressente de não ver personagens negros na mídia.
Mesmo com a platéia em gargalhadas, o ator e autor não deixa de dar um recado político, que passa por temas sem graça como exclusão social, racismo e miséria.
"A carga política é muito forte, mas as pessoas vão digerindo muito deliciosamente. E olha que quem tem dinheiro para pagar teatro é a elite burguesa. Isso é muito louco. Faço questão de trazer atualidades para o espetáculo. Como esse caso do professor da Ufba que fez aquela declaração preconceituosa contra os baianos. Isso para nós virou uma grande piada", conta.
Luis Miranda diz não ter personagem preferido, mas admite um carinho especial por uma de suas criações. "A dona Editi é aquela mãe negra brasileira, que cria os filhos a trancos e barrancos. Ela consegue cumprir seu objetivo, mas vive uma vida extremamente sacrificada. Para mim, ter conseguido manter essa relação com a negritude e a beleza da mãe brasileira me deixa muito feliz."
Luis Miranda em "7 Conto - A Comédia"
Quando: sextas, sábados e domingos, às 20h; até 8 de junho
Onde: Teatro ISBA (av. Oceânica, 2.717, Ondina, Salvador; tel. 0/xx/71/4009-3689; classificação 12 anos)
Quanto: R$ 24 (sexta) e R$ 30 (sábado e domingo)
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