Wim Wenders defende filmes com visões pessoais
da Efe, em Cannes
O diretor alemão Wim Wenders afirmou neste sábado (24) em Cannes que o cinema é mostrar tudo o que a imaginação pode criar e isso deve ser feito de uma maneira pessoal, que é a única forma de manter o cinema vivo.
| Divulgação |
![]() |
| Wim Wenders disse que visão pessoal faz diferença no cinema |
Wenders explicou em entrevista coletiva no Festival de Cannes, onde apresentou em competição oficial "Palermo Shooting", que "o cinema é algo extremamente vivo que pode sobreviver e ser sólido", mas que para isso deve fugir das fórmulas convencionais.
O alemão --premiado com a Palma de Ouro em Cannes, em 1984, por "Paris, Texas"-- defendia assim a pouco convencional história que conta em "Palermo Shooting", que marca um retorno ao estilo de seus filmes realizados no final da década de 80 ou 90, como seu celebrado "O céu sobre Berlim" (1987).
História de um cantor
Seu novo filme conta a história de Finn (Campino, o cantor do grupo alemão Die Toten Hosen), um fotógrafo de êxito internacional que está "perdido", sem lugar definido e isolado, sempre escutando música e que encontra em Palermo uma jovem (Giovanna Mezzogiorno) que lhe entende.
"Perdi toda a confiança na estrutura clássica dos filmes", disse Wenders, que defendeu "as entrelinhas", para se fazer um cinema "com essa qualidade extraordinária que é a de nos ajudar a perceber as coisas".
Visão pessoal faz a diferença
Em relação a isso, o diretor contou que se relaciona com muita gente jovem e a indústria cinematográfica não entende que o que faz diferença para os jovens é justamente essa "visão pessoal das coisas".
E pessoal é certamente o filme de Wenders, no qual o fotógrafo enfrenta a morte (representada por Dennis Hopper) em Palermo, a cidade que, na opinião do diretor, melhor poderia representar o fato.
Dennis Hopper considerou "apropriado" que ele e a morte "se encontrem em um personagem", uma interpretação na qual, segundo ele, Wenders lhe permitiu "um grande espaço de criação".
"A morte restaura a imagem da vida no filme" e por isso o personagem de Hopper está vestido de branco e cheio de luz.
"As pessoas que já encararam a morte alguma vez não falam de morte, mas de luz, de beleza, da ausência de medo, de coragem" e isso é o que Wenders tentou mostrar.
Sonhos
E para contar essa história de vida e morte, de realidade e ficção, o diretor utilizou os sonhos.
"Como qualquer outra pessoa, aprendo com os sonhos", disse o diretor, ao contar que quando acorda com uma imagem em sua mente a escreve imediatamente e isso o ajuda a melhorar sua vida e serve de inspiração para seus filmes, como neste caso, um filme que é "um sonho acordado", como ele mesmo definiu sua obra.
Em relação à trilha sonora de "Palermo Shooting" que é tão importante como os diálogos dos personagens, o realizador alemão afirmou que a música "é muito importante" em sua vida, "em nível existencial".
"Dei-me conta de que meus grupos favoritos contam em suas canções temas que ninguém mais conta nos filmes. Por isso quis fazer o filme e dar tanta importância à música nele", completou.
Leia mais
- Cannes apresenta contraste de estilos no penúltimo dia
- Rodrigo Santoro volta ao tapete vermelho em Cannes
- Steven Spielberg é condecorado por presidente da França
- Modelo de cartaz aparecerá amanhã em Cannes
- Saramago vê adaptação de seu livro com Meirelles; veja vídeo
- Revistas dos EUA apontam Cannes como fraco em negócios
- Diretor Spike Lee fará documentário sobre Michael Jordan
- Clint Eastwood estréia em Cannes com boas críticas
Livraria da Folha
- "Cinema" explica retomada da produção cinematográfica no Brasil
- Livro revela as maiores gafes do cinema e aponta mais de 3 mil erros em filmes famosos
- Sete "náufragos" levam sua coleção de filmes para "ilha deserta"
- Livro que originou "Tropa de Elite" vai ainda mais fundo no retrato da guerra urbana
- Garoto da Zona Sul vira barão das drogas em "Meu Nome não é Johnny"
Especial


