Festivais de cinema querem ver favela e violência, diz Cacá Diegues
DAYANNE MIKEVIS
Enviada da Folha Online a Maringá
O cinema brasileiro ficou associado a um cinema malfeito, disse o cineasta Cacá Diegues neste sábado durante abertura do 5º Festival de Cinema de Maringá, evento que termina no próximo dia 30.
Diegues é homenageado do evento que ocorre na cidade do noroeste do Estado do Paraná. A declaração foi feita quando o cineasta rebatia sobre uma possível "hollywoodização" do cinema brasileiro.
| Jonatas Lucizano/Divulgação |
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| Cineasta Cacá Diegues disse que cinema brasileiro ficou associado a um cinema malfeito em entrevista coletiva do Festival de Maringá |
"Como nossos filmes eram malfeitos, ficou a marca de que o cinema brasileiro era malfeito", disse Diegues, ao comentar sua vivência no cinema novo.
Para ele, a nova geração de cineastas brasileiras ganha muito com a formação acadêmica e montagens com melhor acabamento.
Diegues prevê que o século 21 seja do cinema brasileiro. "Eu vivi muitas retomadas do cinema brasileiro, mas nunca vi uma fase tão fértil", disse o diretor.
Apesar de negar uma tendência de imitar Hollywood no cinema nacional, o diretor deu o braço a torcer ao comentar sobre os temas --principalmente ligados a favelas-- que fazem sucesso quando filmados.
"Principalmente este circuito de festivais quer ver favela, violência", disse o diretor, ao comentar sobre eventos internacionais, como o Festival de Berlim -no qual o filme nacional "Tropa de Elite" levou o Urso de Ouro neste ano.
Diegues reconheceu a existência de uma direção do cinema brasileiro sintonizada com a de Hollywood. A questão foi levantada pela atriz Letícia Sabatella, que também participou do evento. Ele questionou se a expectativa dos festivais e do conseqüente financiamento não gera, de certa forma, produções que mostrem o que os estrangeiros querem ver.
Para Diegues, a possibilidade de tornar cosmopolita a cultura brasileira é um dos benefícios das co-produções e do interesse do exterior pelo cinema nacional.
"Falar sobre a cultura do Brasil, direito, só quem faz cinema aqui consegue fazer", afirmou o cineasta.
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