Ilustrada
25/05/2008 - 08h24

Ex-sacoleira no Paraguai, drag queen cria personagem vestido com bugigangas

colaboração para a Folha de S.Paulo

De vestido verde simples e cartola com girassol de plástico sobre peruca loura, o curitibano Wanderley Martins, 28, ou Drag Paraguaia, circulava pela feira gay de quinta-feira como se apresentaria hoje, ao contrário de veteranas como Silvetty Montilla e Dimmy Kieer, que guardavam os modelitos para a avenida Paulista.

Leo Caobelli/Folha Imagem
Drag queen desfila pela feira gay montada no largo do Arouche
Drag queen desfila pela feira gay montada no largo do Arouche

Paraguaia assumia o lado que lhe valeu o apelido --recebido das colegas por já ter sido sacoleira, trazendo muamba de Ciudad del Este, no Paraguai, fronteira com Foz do Iguaçu (PR). "Mas agora nem precisa ir tão longe, basta chegar ali na [rua] 25 de Março", brinca a drag, que afirma ter adotado de vez São Paulo, "por ser uma cidade mais aberta, tendo até leis próprias que protegem os homossexuais".

Estudante de colégio católico em Curitiba, Wanderley conta ter sofrido pressão na adolescência, até assumir a homossexualidade, aos 17 anos. "Eu me sentia mal, porque ouvia os padres e achava que estava fazendo uma coisa errada e que ia para o inferno. Mas não é que acabei no paraíso?", ironiza.

Dee-Lite e Butterfly

Dicesar dos Santos, ou Dimmy Kieer, 40, homenageará na Parada Gay a gueixa Madame Butterfly, da ópera de Puccini. Inspirando-se nas divas, já encarnou Madonna e Rita Hayworth, mas o nome de guerra foi inspirado na cantora Lady Miss Kier, do grupo Dee-Lite -aquele do sucesso único "Groove is in the Heart", de 1990.

Já Silvetty Montilla, com experiência de 21 anos no circuito das boates, não envereda pelas homenagens. Prefere desfilar como ela mesma, todos os anos.

 

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