Macy Gray volta ao país para cantar "todos os hits"
CRISTINA FIBE
da Folha de S.Paulo
Os brasileiros não precisam sentir saudades de Macy Gray. A cantora norte-americana, diva da black music, já até perdeu a conta de quantas vezes veio ao país Äquatro, desde 2001.
Aos 37 anos, mais madura e bem-comportada, Macy deve ir além de seu último CD, "Big", nos shows que fará em SP (hoje) e no Rio (quinta). Mas sem ameaçar tirar a roupa, como fez na primeira vez por aqui.
"Vou cantar músicas novas, músicas antigas. Todos os hits", diz, em entrevista por telefone, dos EUA. "É um bom show. Bem natural, sem truques."
O público pode esperar ouvir sua voz rouca passear pelas velhas "I Try", "Sexual Revolution" e "Sweet Baby", além das recentes "Finally Made Me Happy" e "Strange Behavior".
Deve ser, portanto, um show mais completo do que o que fez no festival Live Earth, em Copacabana, há menos de um ano. Mas por que já voltar ao país?
"Gosto dos fãs brasileiros, sempre me divirto muito no palco. Amo a música, o clima, as praias." Ela diz guardar boas lembranças da última visita, em que foi com o cantor Lenny Kravitz à quadra da Mangueira.
Descanso e conversa
Desta vez, ficará 11 dias, mas não revela o que pretende fazer nas horas vagas. O que se sabe é que, depois do show no Rio, ela volta a SP para uma apresentação gratuita com o pianista Herbie Hancock. Boa notícia para quem não pode pagar no mínimo R$ 200 para vê-la no palco.
Aos que têm dinheiro para tal, Macy oferecerá, além da música, boa dose de conversa. Comunicativa, ela diz que nada muda quando se apresenta em um país de língua estrangeira.
"Surpreende o quanto as pessoas entendem. Se não entendem, alguém do lado explica o que estou falando. Nunca subestimo meu público, sempre assumo que eles estão no mesmo ponto que eu", afirma.
"Acho que, se você ouve música americana, você pega muito do inglês. Mesmo quando vou a Tóquio, converso, eles entendem ou têm alguma idéia do que estou falando."
Black com eletrônica
E, quando tocar músicas de seu próximo CD, em fase de gestação, a platéia perceberá mesmo se não entender inglês: segundo ela, é "um tipo de música que você nunca ouviu".
Os passeios que a cantora já fez por outros gêneros musicais devem ganhar mais peso na nova experiência, em que vem trabalhando desde dezembro. "Vai ter hip hop, batida dance, melodia soul, muita black music sobre batida eletrônica... Será ótimo", completa, sem fingir modéstia.
Um dos produtores convidados para o próximo CD é Rodney Jerkins, que já trabalhou com artistas que vão de Spice Girls a Michael Jackson. Desde "Big", Macy vem experimentando novos parceiros, como will.i.am e Justin Timberlake.
Um dos motivos de tanta mistura é que Macy intensificou sua pesquisa musical: agora, a cantora, nascida Natalie McIntyre e mãe de três crianças, é também DJ.
Mesmo com os compromissos musicais, Macy quer levar adiante suas participações no cinema (em "Homem-Aranha", por exemplo). Atuará em "Mama Black Widow", de Darren Grant, ainda em pré-produção.
MACY GRAY
Quando: em SP, hoje, às 21h30; no Rio, na quinta (29), às 21h30
Onde: em SP, no HSBC Brasil (r. Bragança Paulista, 1.281; classificação 14 anos); no Rio, no Vivo Rio (av. Infante Dom Henrique, 85; classif. 15 anos)
Quanto: de R$ 200 a R$ 400, nas duas cidades
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