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28/05/2008 - 03h00

Leia sobre a importância de Nuno Ramos nas artes plásticas

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FABIO CYPRIANO
da Folha de S.Paulo

Poucos são os artistas que iniciaram carreira nos anos 1980 e conseguiram uma obra tão multifacetada quanto o paulista Nuno Ramos. Instalações de grande porte, como "Vai Vai", composta por três jumentos carregando caixas de som, vista no Instituto Tomie Ohtake, em 2006, ou a chuva torrencial no átrio do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, em 2004, na mostra "Morte das Casas", quando também apresentou uma série de filmes, atestam a diversidade trilhada pelo artista.

Alan Marques/Folha Imagem
NUNO RAMOS - ILUSTRADA ESPECIAL - O artista plástico Nuno Ramosa posa para foto em sua instalação "Bandeira Branca", no Centro Cultura Banco do Brasil. Brasília 25.05.08 às 17h Foto: Alan Marques / Folha Imagem.
Artista plástico Nuno Ramosa posa para foto em sua instalação "Bandeira Branca"

Foi com os pincéis que Ramos, assim como grande parte de sua geração, iniciou sua carreira. Um dos integrantes do Casa 7, um grupo de artistas que dividiam o mesmo ateliê, ele participou da histórica Bienal da "Grande Tela", em 1985, aos 25 anos, com oito obras em grande escala.

Do bidimensional para a escultura, no entanto, foi uma passagem rápida. As obras de Ramos foram ganhando cada vez mais tinta e a elas agregaram-se pedaços de madeira, vaselina, tecidos, parafina, metais. "Suas pinturas pareciam organismos vivos, cujas entranhas purgavam continuamente e, mais que o olho, abarcavam o corpo do espectador", definiu o crítico e curador Agnaldo Farias.

Nos anos 1990, Ramos passou também a abordar questões sociais, como o massacre dos 111 presos na penitenciária do Carandiru, em São Paulo, com a instalação "111" (1992-3) ou mesmo a violência em "Balaço", um livro atravessado por um buraco de bala.

Entretanto, o artista nunca abandonou de fato a pintura, apesar de sua obra tridimensional ter maior visibilidade.

Atualmente, a música popular brasileira tem tido grande repercussão na obra do artista, que também compõe sambas. O filme "Luz Negra" (2002), por exemplo, é dedicado a Nelson Cavaquinho, que Ramos considera, junto com o artista Oswaldo Goeldi, duas presenças obsessivas em sua vida.

"Os dois são artistas muito próximos, perfeitamente relacionáveis. Ambos com uma visão muito pesada da vida, mas ao mesmo [...] com uma beleza extrema veiculando tal sensação. São artistas pessimistas, do Brasil da garoa, de uma melancolia absurda e de uma nitidez poética rara", disse Ramos em uma entrevista. Essa melancolia absurda incorpora-se à obra do próprio artista, tornando-o um dos principais nomes da produção contemporânea nacional e uma das raras unanimidades entre os críticos, como o que ocorre com Cildo Meireles.

 

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