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Leia sobre a importância de Nuno Ramos nas artes plásticas
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FABIO CYPRIANO
da Folha de S.Paulo
Poucos são os artistas que iniciaram carreira nos anos 1980 e conseguiram uma obra tão multifacetada quanto o paulista Nuno Ramos. Instalações de grande porte, como "Vai Vai", composta por três jumentos carregando caixas de som, vista no Instituto Tomie Ohtake, em 2006, ou a chuva torrencial no átrio do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, em 2004, na mostra "Morte das Casas", quando também apresentou uma série de filmes, atestam a diversidade trilhada pelo artista.
| Alan Marques/Folha Imagem |
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| Artista plástico Nuno Ramosa posa para foto em sua instalação "Bandeira Branca" |
Foi com os pincéis que Ramos, assim como grande parte de sua geração, iniciou sua carreira. Um dos integrantes do Casa 7, um grupo de artistas que dividiam o mesmo ateliê, ele participou da histórica Bienal da "Grande Tela", em 1985, aos 25 anos, com oito obras em grande escala.
Do bidimensional para a escultura, no entanto, foi uma passagem rápida. As obras de Ramos foram ganhando cada vez mais tinta e a elas agregaram-se pedaços de madeira, vaselina, tecidos, parafina, metais. "Suas pinturas pareciam organismos vivos, cujas entranhas purgavam continuamente e, mais que o olho, abarcavam o corpo do espectador", definiu o crítico e curador Agnaldo Farias.
Nos anos 1990, Ramos passou também a abordar questões sociais, como o massacre dos 111 presos na penitenciária do Carandiru, em São Paulo, com a instalação "111" (1992-3) ou mesmo a violência em "Balaço", um livro atravessado por um buraco de bala.
Entretanto, o artista nunca abandonou de fato a pintura, apesar de sua obra tridimensional ter maior visibilidade.
Atualmente, a música popular brasileira tem tido grande repercussão na obra do artista, que também compõe sambas. O filme "Luz Negra" (2002), por exemplo, é dedicado a Nelson Cavaquinho, que Ramos considera, junto com o artista Oswaldo Goeldi, duas presenças obsessivas em sua vida.
"Os dois são artistas muito próximos, perfeitamente relacionáveis. Ambos com uma visão muito pesada da vida, mas ao mesmo [...] com uma beleza extrema veiculando tal sensação. São artistas pessimistas, do Brasil da garoa, de uma melancolia absurda e de uma nitidez poética rara", disse Ramos em uma entrevista. Essa melancolia absurda incorpora-se à obra do próprio artista, tornando-o um dos principais nomes da produção contemporânea nacional e uma das raras unanimidades entre os críticos, como o que ocorre com Cildo Meireles.
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