Herbie Hancock relê em SP a música de Joni Mitchell
CARLOS CALADO
colaboração para a Folha de S.Paulo
É bem provável que parte da platéia dos shows que Herbie Hancock comanda hoje, no HSBC Brasil, e domingo (às 15h, grátis), no parque Villa-Lobos, só tenha uma vaga idéia de quem é esse pianista norte-americano. Ao conquistar o Grammy de "álbum do ano", o jazzista de 68 anos viu sua popularidade atingir um grau inusitado, numa carreira de cinco décadas marcada pela inovação constante.
| Ric Francis/AP |
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| Pianista Herbie Hancock se apresenta em São Paulo no HSBC Brasil e no Villa-Lobos |
A expressão de espanto que Hancock exibiu ao receber o prêmio, em fevereiro, é compreensível. Desde 1964, quando o saxofonista Stan Getz levou o Grammy de álbum do ano por sua incursão pela bossa nova, ao lado de João Gilberto, no clássico disco "Getz/Gilberto", os músicos de jazz nunca mais tinham conseguido vencer nessa modalidade seus colegas da música pop.
Se o prêmio foi concedido a Hancock como um reconhecimento do valor de sua obra, ou simplesmente porque a música popular norte-americana (incluindo o rock, o rap ou o R&B) vive hoje uma fase de indisfarçável mediocridade, jamais saberemos. O que importa é que a visibilidade maior trazida pelo Grammy tem levado a música inventiva desse pianista a uma parcela mais ampla de ouvintes.
No premiado álbum "River: The Joni Letters" (Universal, 2007), Hancock recria com liberdade canções da cantora e compositora canadense Joni Mitchell, como a antibelicista "Tea Leaf Prophecy", a lírica "River" ou a agridoce "Court and Spark", contando com vocais de diversos convidados (entre eles Norah Jones e a própria Joni Mitchell). Outros hits da compositora, como "Both Sides Now" e "Sweet Bird", surgem em versões instrumentais.
"Joni escreve maravilhosas melodias e harmonias, elementos que eu sempre procuro em uma canção para me decidir a tocá-la", disse o jazzista à Folha, na época do lançamento desse álbum.
Como seria de se esperar, no caso de um músico que, desde sua estréia em disco ("Takin" Off", 1962), contribuiu ativamente para que o jazz enveredasse por novas direções e fusões, Hancock costuma revisitar em seus shows alguns de seus sucessos do passado, como a etérea "Maiden Voyage" ou a funkeada "Cantaloupe Island".
Trazendo em seu grupo o guitarrista africano Lionel Loueke, uma das revelações do jazz desta década, Hancock segue a lição aprendida com seu grande mentor, o trompetista Miles Davis (1926-1991). Ao incentivar os músicos jovens, semeia-se a música do futuro.
Herbie Hancock
Quando: hoje, às 21h30
Onde: HSBC Brasil (r. Bragança Paulista, 1.281, Santo Amaro, São Paulo; tel. 0/xx/11/4003-1212; classificação:14 anos)
Quanto: de R$ 100 a R$ 400
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