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Ilustrada
28/05/2008 - 19h50

Erros geográficos do novo filme de Indiana Jones irritam peruanos

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da France Presse

ALERTA: PARA QUEM ODEIA LER "SPOILERS" (TEXTO CONSIDERADO "DESMANCHA-PRAZER" POR REVELAR FATOS CRUCIAIS DE UM PROGRAMA), NÃO SIGA EM FRENTE

A última aventura do herói Indiana Jones, que já está batendo recordes de bilheteria no mundo, gerou mal-estar no Peru, onde se passa o filme, devido a erros tão grosseiros, como na cena em que o mexicano Pancho Villa ensina o quechua, idioma dos incas.

Divulgação
Peruanos ficam irritados com erros em novo filme de Indiana Jones
Peruanos ficam irritados com erros em novo filme de Indiana Jones

Os espectadores de "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" se surpreendem quando se diz no filme que Pancho Villa, herói da Revolução Mexicana, e seus amigos falavam quechua, o idioma dos antigos peruanos.

"É uma barbaridade", disse o diretor da Biblioteca Nacional do Peru, Hugo Neyra.

Na saída das salas, os cinéfilos peruanos também expressam sua indignação com a trilha sonora. As aventuras de Indiana se passam no Peru, mas a música é, estranhamente, típica do México.

Soma-se a isso o fato de que existam guerreiros maias falando quechua, em plena selva peruana, região supostamente cercada de areia movediça, com insaciáveis formigas que devoram humanos, e enormes cataratas que, na verdade, estão em Foz do Iguaçu (PR), no Brasil.

Para completar a seqüência de absurdos, a pirâmide de Chichen Itzá, que no mundo real fica no México, na telona aparece no meio da Amazônia peruana.

O historiador Manuel Burga, ex-reitor da Universidade de San Marcos, a mais antiga da América, comentou que, embora se trate de um filme de ficção, faltou assessoria ao criadores do personagem, Steven Spielberg e George Lucas.

"Há muitos dados incorretos, embora seja uma ficção. Isso será prejudicial para muita gente que não conhece o nosso país, pois mostra um cenário peruano que não é real. Não é possível que se confunda a Amazônia com a selva de Yucatán, no México", reclamou Burga.

Para o diretor da Biblioteca Nacional do Peru, Hugo Neyra, muitos americanos e europeus, medianamente informados, vão se dar conta de que é "uma aberração" misturar as culturas maia e inca.

"Eles sabem que Machu Picchu fica em Cuzco e Chichen Itzá, no México", afirmou.

O historiador Teodoro Hampe comentou que, no imaginário do americano comum, há um esquema, segundo o qual tudo que está além das fronteiras para o sul é a mesma coisa. "Para eles, dá no mesmo: México, Guatemala, Bolívia ou Peru", completou.

Outra confusão é que a cidade de Nasca, na costa sul do Peru, aparece, no filme, em Cuzco, no meio dos Andes do sul peruano.

A lista de reclamações continua, já que a trama insiste em uma idéia bastante difundida no exterior e rejeitada pela comunidade científica internacional de que a civilização andina é produto da visita de extraterrestres. Quase no final do filme, um disco voador emerge das profundezas de um palácio de ouro.

A mensagem subliminar parece ser a de que as conquistas das civilizações surgidas na América Latina são fruto de forças sobrenaturais, e não da capacidade de seus próprios habitantes.

 

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