Godard desiste de festival em Israel após pedido de palestinos
REBECCA HARRISON
da Reuters, em Jerusalém
Jean-Luc Godard desistiu de comparecer a um festival de cinema em Tel Aviv após um grupo palestino pedir que o cineasta francês boicotasse Israel.
| Divulgação |
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| Jean-Luc Gordard (à dir.) em filmagem em 1966; diretor desistiu de festival em Israel |
Godard, um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague, na década de 1960, cancelou a viagem ao Festival Internacional de Cinema Estudantil, citando "circunstâncias além de seu controle", disseram os organizadores do festival nesta segunda-feira (2).
Na semana passada, a Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural de Israel pediu, em uma carta aberta a Godard, que assumisse uma "posição corajosa" e cancelasse sua viagem a Israel.
"Você foi a um festival de cinema africâner durante o apartheid na África do Sul? Por que Israel, então?", dizia a carta, intitulada "O Pequeno Soldado Dançando sobre as Sepulturas Palestinas", uma referência ao filme "Pequeno Soldado" (1963).
Uma fonte próxima ao escritório do cineasta, que se recusou a comentar o assunto publicamente, citou a pressão política como uma das razões pelas quais Godard cancelou sua visita.
Os organizadores do festival disseram estar desapontados com a ausência do cineasta, que faria palestras a estudantes, mas respeitam sua decisão.
Grupos pró-Palestina pedem freqüentemente a acadêmicos e importantes figuras culturais que boicotem Israel devido à ocupação da Cisjordânia e ao bloqueio da Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas.
O maior sindicato britânico de palestrantes universitários disse a seus membros na semana passada para "reconsiderar" suas ligações com a academia israelense.
Ativistas sul-africanos pediram à escritora Nadine Gordimer, ganhadora do prêmio Nobel que fez campanha contra o apartheid, que cancelasse sua visita a um festival literário no mês passado, mas ela não atendeu ao pedido.
Israel recusa as comparações com a África do Sul. Grupos judeus também condenam os boicotes culturais e acadêmicos, chamando-os de "anti-semitas".
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