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02/06/2008 - 19h05

Funeral de Yves Saint-Laurent será na quinta; leia repercussão

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da Efe, em Paris
da France Presse, em Paris

O funeral do estilista francês Yves Saint-Laurent, que morreu neste domingo à noite em Paris aos 71 anos, assim como a cremação de seu corpo, será na próxima quinta-feira (5) na Igreja de Saint-Roch, informou seu amigo e co-fundador da firma YSL, Pierre Bergé.

Jacky Naegelen/27.mar.2006/Reuters
Estilista francês Yves Saint Laurent revolucionou maneira de vestir das mulheres
Estilista Yves Saint Laurent revolucionou maneira de vestir das mulheres no mundo

Saint-Laurent, último mito vivo que revolucionou a indumentária feminina do século 20, lutava há um ano contra um tumor no cérebro, disse Bergé, acrescentando que o funeral acontecerá às 15h30 (10h30 no horário de Brasília).

No evento devem estar presentes o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e sua mulher, Carla Bruni, ex-modelo que desfilou para Saint Laurent.

Inicialmente se tinha informado que as exéquias teriam lugar na próxima sexta-feira, dia em que Sarkozy visitará Grécia dentro dos preparativos da Presidência francesa da União Européia.

O estilista será incinerado e suas cinzas serão colocadas em uma sepultura nos jardins Majorelle em Marrakech (no Marrocos), vizinho à residência que Saint-Laurent e Bergé compraram em 1980.

"A grande história de amor de Yves Saint-Laurent e sua grande paixão desde a mais tenra idade foi a moda", ressaltou Bergé.

Companheiro de Saint-Laurent durante 50 anos, nos âmbitos pessoal e profissional, Bergé se disse "profundamente triste" pela morte, apesar de afirmar que não era "um choque", dado que o câncer do estilista tinha sido detectado em abril de 2007.

A França perdeu "um dos grandes costureiros de sua época e um de seus artistas maiores", disse Bergé à imprensa, na fundação que leva o nome dos dois.

Nascido em 1º de agosto de 1936 em Oran, na Argélia, em uma família rica, inspirado sempre pela beleza e pelo estilo da mãe, o criador da saharienne (jaqueta tipo safári) e do fraque para a mulher, morreu ontem às 23h10 (18h10 de Brasília).

Repercussão

Desde a divulgação da notícia da morte do estilista, ontem à noite, as reações não param, incluindo as de Sarkozy, do primeiro-ministro francês, François Fillon, e da ministra da Cultura francesa, Christine Albanel.

AP
Considerado um dos maiores estilistas do século 20, Yves Saint Laurent morreu aos 71 anos
Considerado um dos maiores estilistas do século 20, Saint Laurent morreu aos 71 anos

Bergé disse que tinha falado por telefone com Sarkozy esta manhã e que ontem à noite, quinze minutos depois da morte do estilista, a atriz Catherine Deneuve foi prestar sua homenagem.

Estilistas de todo o mundo também homenagearam o colega francês. No Brasil, o estilista Alexandre Herchcovitch informou que não poderia parar os preparativos de sua nova coleção para comentar o "assunto".

"Saint Laurent foi um dos melhores estilistas, um dos poucos que alcançava a perfeição em cada coisa que tocava", declarou a estilista britânica Vivienne Westwood.

Para o estilista Christian Lacroix, o segredo do seu sucesso estava na sua extraordinária versatilidade.

"Chanel, Schiaparelli, Balenciaga e Dior fizeram coisas extraordinárias. Mas trabalharam com um estilo particular", disse Lacroix. "Saint Laurent é muito mais versátil, como uma combinação de todos eles", disse.

O francês Jean Paul Gaultier assinalou que o estilista foi seu "ídolo", um "modelo para ser seguido", enquanto o italiano Valentino afirmou que ele era "um gigante" com uma "imaginação sem limites".

Valentino e Saint Laurent estudaram juntos em Paris, onde compartilharam "festas intermináveis" no famoso Café de Flore, disse o italiano.

Karl Lagerfeld, durante muitos anos grande rival de Saint Laurent, não quis comentar sua morte.

"Eu quero lembrá-lo não só como o maior estilista de sua época como também como era há 20 anos, quando o visitei em sua casa de Marrakesh", disse por sua parte Giorgio Armani.

"Lamentamos não o ter conhecido pessoalmente, nós que aprendemos tanto com ele, que nos inspirou tantas vezes, milhões de vezes", reconheceram os estilistas Domenico Dolce e Stefano Gabbana, da Dolce & Gabbana.

O grupo Gucci lamentou a morte do estilista, que "desafiou as regras da moda inventando novamente a elegância francesa. Seu falecimento deixa um enorme vazio e também uma herança sublime".

Por sua vez, a primeira-dama francesa e ex-modelo para a Saint Laurent, Carla Bruni, afirmou sentir "um grande pesar" pelo falecimento do "artista, de um ser humano excepcional", segundo um comunicado oficial.

Hanae Mori, uma das estilistas japonesas mais famosas e a única mulher asiática aceita como membro com plenos direitos da exclusiva Federação Francesa de Alta Costura, se disse "emocionada" pela morte de Saint Laurent.

"Era uma pessoa exemplar", assinalou Mori, que abriu seu próprio salão de vendas nos anos 70 em Paris.

"Antes de tudo, ele entendeu quem era a nova mulher. Desenhou calças muito confortáveis para as mulheres que trabalham, mas ao mesmo tempo sofisticadas. Muito funcionais mas também elegantes", acrescentou a japonesa.

Até mesmo estilistas que nunca apreciaram especialmente seu estilo vanguardista aplaudiram a faceta visionária de Saint Laurent, destinada à mulher que possui independência econômica e se veste de forma funcional sem perder o componente feminino.

"Quando foi lançada a primeira linha de calças, não gostei, porque pensei que escondia as pernas da mulher, um dos seus atributos mais sexy", admite o estilista japonês Jun Ashida.

"Mas Saint Laurent tinha um olho penetrante sobre a mulher trabalhadora. Ele previu acertadamente os novos tempos e mudou o mundo. É o imperador do mundo da moda", afirmou Ashida.

François Pinault, patrono do império da moda PPR, afirmou que "Yves Saint Laurent transformou tudo a serviço da paixão, para que a mulher brilhe e libere sua beleza e mistério".

A estilista australiana Collete Dinnigan, conhecida por seus vestidos de gala --usados por atrizes de Hollywood como Nicole Kidman e Cameron Díaz-- classificou Saint Laurent de "gênio".

"Sua morte é uma tragédia, foi um estilista ícone", declarou Dinnigan, citada pela agência de notícias australiana APP.

Imprensa

O "Financial Times" escreveu que "a morte de Yves Saint Laurent nos permite evocar como ele revolucionou a vida das mulheres trabalhadoras. (A pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos) Hillary Clinton tem uma boa razão para se sentir agradecida a Saint Laurent".

Desde os grandes jornais até os tablóides, a imprensa americana também prestou homenagens a Saint Laurent.

"Gigante da costura durante 45 anos", segundo o "New York Times", Yves Saint Laurent queria "se por a serviço das mulheres, de seu corpo, de seus gestos, da sua vida", escreveu o "Washington Post".

A chefe de redação da revista britânica "Vogue", Alexandra Shulman, destacou que o estilista francês contribuiu para democratizar a moda.

Antes de Saint Laurent, a moda só tinha espaço para "pequenos salões para gente rica", declarou à BBC Shulman. "O francês levou a moda para as pessoas, era jovem e genial. As estrelas do pop saíam com ele e as novas gerações se relacionavam com ele", disse.

 

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