Ilustrada
02/06/2008 - 23h55

"A Favorita" estréia em clima de "vacas magras", mas empolga

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SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online

O primeiro capítulo de "A Favorita" refletiu bem a fase de "vacas magras" da Globo. Na estréia, a emissora quebrou sua tradição de exibir cenas típicas de uma superprodução, daquelas de hipnotizar o público com pirotecnias, imagens aéreas ou personagens em cenários luxuosos no exterior. Tudo foi muito pobrinho para o padrão de uma novela das oito.

Márcio de Souza /TV Globo
Patrícia Pilar hipnotiza telespectador no papel de Flora
Patrícia Pilar hipnotiza no papel de Flora, que tenta provar inocência e reencontrar a filha

Os primeiros minutos da nova trama das 21h mostraram a saída da prisão de Flora, interpretada pela Patrícia Pillar, em excelente atuação. Ela passou 18 anos na cadeia, jura ser inocente da morte do amante Marcelo, marido de sua melhor amiga, Donatela, vivida pela canastrona Claudia Raia. Livre, Flora quer provar sua inocência e rever a filha Lara, personagem da limitada Mariana Ximenes.

A novela do João Emanuel Carneiro, 36, estreante no horário nobre, era para ser ambientada originalmente em Brasília, mas os custos elevados de gravar cenas na capital federal fizeram a Globo abortar a idéia. As últimas novelas do horário bombardearam o telespectador com os clichês da paisagem carioca. Ninguém suporta mais ver Copacabana, Ipanema e Leblon.

Kiko Cabral/TV Globo
Alícia, personagem de Taís Araújo, é um dos bons chamarizes de "A Favorita"
Alícia, personagem de Taís Araújo, é um dos bons chamarizes de "A Favorita"

Em "A Favorita", é a vez de São Paulo mostrar seus cartões-postais. Após deixar o xilindró, Flora passa a morar no centro velho da capital paulista. No primeiro capítulo, lugares como o viaduto Santa Ifigênia e a praça da Sé foram mostrados. Já o tango eletrônico do grupo Bajofondo, composto por argentinos e uruguaios, é o tema da novela com a música "Pa Bailar". É um alívio para quem estava cansado de MPB ou "Eu acredito na rapaziada".

O primeiro capítulo não esqueceu das velhas fórmulas de segurar a audiência. Alicia, a mimada filha de um político corrupto vivida pela Taís Araújo, já tirou a roupa em um evento para se vingar do pai, que se recusou a mexer os pauzinhos para que ela consiga verba pública para uma exposição.

Bob Paulino /TV Globo
Cauã Reymond, michê em "Belíssima" (2005-2005), só tem mesmo o corpo como arma
Cauã, michê em "Belíssima" (2005-2006), só tem mesmo o corpo como arma de atuação

O visual de Alicia, bem como o gênio difícil e mimado, lembra o da modelo britânica Naomi Campbell --uma boa sacada de caracterização. Já o veterano Milton Gonçalves faz o deputado Romildo Rosa, apresentado como "cavaleiro do povo".

O ator Cauã Reymond também deve fazer o ibope subir. Ele já apareceu dando amassos em uma moça e exibiu o corpo vestindo só uma cueca. Halley, o nome do seu personagem, é a arma da novela para sacudir os hormônios da mulherada (e gays, por tabela). O rapaz é filho
da cafetina Cilene, mais uma mulher espalhafatosa no currículo da atriz Elizângela.

João Miguel Júnior/TV Globo
Personagem de Mariana entra em conflito com Donatela por ter um namorado operário
Personagem de Mariana entra em conflito com Donatela por ter um namorado operário

A apresentação dos personagens principais foi competente para um primeiro capítulo graças à atuação de atores experientes e cativantes como Glória Menezes (Irene, a avó de Lara que desconfia de Donatela), Mauro Mendonça (Gonçalo, marido de Irene) e Tarcísio Meira (Copola, ex-namorado de Irene). Já o elenco mais jovem --como Thiago Rodrigues (Cassiano, namorado de Lara) e Carmo Dalla Vecchia (repórter Zé Bob)-- se mostrou insosso. Não piores do que Murilo Benício (Dodi, marido de Donatela).

A partir desta terça-feira (3), "A Favorita" enfrentará no horário "Os Mutantes", a continuação de "Caminhos do Coração", que terminou hoje na Record como um sucesso. Vai ser uma briga das boas, pois a novela da Record promete mais agilidade e efeitos especiais do que a trama da Globo. João Emanuel Carneiro tem a vantagem de contar com um elenco de nomes fortes e uma história mais realista. Deu vontade de ver o encontro de Flora e a filha Lara, de ver Flora esbofeteando Donatela, de ver os pitis de Alicia e a malandragem de Halley.

Comentários dos leitores
ulysses rocha filho (1) 17/01/2009 20h17
ulysses rocha filho (1) 17/01/2009 20h17
Senti calafrios com a "revelação" de que LEONARDO poderia ser o PAI da filha de MARIANA. O pai-avô teria estuprado a própria filha."Eu não quero que ela passe o que eu passei..." disse a filha aopai, recusando-se não deixar ele(o pai) chegar perto da "neta". Brilhante a insinuação e o suspense que ficou no ar... Parabéns.... sem opinião
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Regina Martins (37) 17/01/2009 16h23
Regina Martins (37) 17/01/2009 16h23
O pai do Shiva é o argentino Pepe.
Felizardo o menino com tres pais.... só mesmo em novela global...
No real os pais estão ignorando os filhos; em novela é diferente.
sem opinião
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Marcos Santos (1) 17/01/2009 14h15
Marcos Santos (1) 17/01/2009 14h15
Bom.. nao sei se andei perdendo partes importantes da novela. Se alguem souber poderia por favor me informar; mas fiquei sem saber quem é o pai do Shiva. Aquela menina (que nao me lembro o nome) que ele namorou na novela tambem teve uma filha, e fiquei sem saber quem é o pai. Será que por geração espontanea? 8 opiniões
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