Ilustrada
03/06/2008 - 11h50

Brigitte Bardot recebe quinta condenação por racismo

da Reuters, em Paris

Um tribunal de Paris multou a ex-estrela de cinema Brigitte Bardot em 15 mil euros nesta terça-feira (3) por incitar o ódio racial ao insultar muçulmanos. É sua quinta condenação em 11 anos por acusações semelhantes.

Reprodução
Atriz francesa Brigitte Bardot foi a julgamento por insultar muçulmanos
Atriz francesa Brigitte Bardot posa nos tempos de linda juventude

Bardot, que hoje é militante pelos direitos dos animais, vem repetidamente fazendo críticas à festa de Eid al-Adha, durante a qual os muçulmanos fazem o sacrifício de uma ovelha. Mas ela também já criticou outras tradições muçulmanas e a imigração de países islâmicos.

Sua condenação mais recente se deve a um folheto publicado em 2006 sobre a questão do Eid al-Adha, no qual ela descreveu a comunidade muçulmana na França como "esta população que está nos destruindo, que está destruindo nosso país por nos impor seus atos."

A promotoria tinha recomendado que Bardot fosse condenada a dois meses de prisão além da multa, mas a corte não acatou a recomendação. Bardot, que tem 73 anos e diz que não tem condições físicas de viajar, não estava presente quando foi anunciada a decisão do tribunal.

Indenização simbólica

Além da multa, Bardot terá que pagar indenização simbólica por danos a várias organizações que combatem o racismo. O tribunal também decidiu que o veredicto contra ela terá que ser publicado no boletim de sua fundação de defesa dos direitos dos animais.

O advogado de Brigitte Bardot, François-Xavier Kelidjian, disse que é pouco provável que a ex-atriz apele contra a sentença, porque já está cansada de julgamentos.

Remy de la Mauviniere/AP
Atriz Brigitte Bardot, militante pelos direitos dos animais, escreveu ao presidente egípcio
Atriz francesa Brigitte Bardot informou ao tribunal que não tem condições físicas de viajar

"Ela acha que estão tentando silenciá-la, mas ela não se deixará silenciar em sua defesa da causa dos animais", disse ela.

Bardot já foi multada quatro vezes desde 1997 por incitar o ódio racial. Os valores das multas foram aumentando gradativamente de 1.500 para 5.000 euros.

Sensualidade e insultos

Símbolo sexual dos anos 50 e 60, a atriz protagonizou filmes como "E Deus Criou a Mulher" (1956), de Roger Vadim, e "Desprezo" (1963), de Jean-Luc Godard.

Quando jovens, os Beatles declararam serem fãs da atriz. O compositor francês Serge Gainsbourg, que foi seu namorado, fez uma canção sobre Bardot que virou grande sucesso. Até Caetano Veloso a citou na música "Alegria, Alegria".

Desde que se afastou das telas, Brigitte Bardot tornou-se uma figura cada vez mais controversa, cuja campanha em prol dos direitos dos animais vem perdendo espaço para seus ataques verbais contra gays, imigrantes e desempregados.

 

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