Comentário: Filme de "Sex and the City" deturpa ideologia da série
TINO MONETTI
Colaboração para a Folha Online
Mulheres de 30 anos que são desinibidas, independentes, sexualmente ativas, poderosas, profissionais e lutadoras podem se tornar quarentonas chatas, caretas e quase neuróticas. Essa parece ser a mensagem oculta por trás de "Sex and the City - O Filme", que estréia nesta sexta-feira (6) em 170 salas de cinema no Brasil.
| Divulgação |
|
| "Sex and the City - O Filme", que estréia sexta, deturpa ideologia da série; veja fotos |
Dirigido por Michael Patrick King, o longa-metragem --longo de verdade, com 148 minutos de duração-- é um desdobramento da série homônima exibida pela HBO americana entre 1998 e 2004 e baseada no livro da escritora Candace Bushnell.
Porém, a série, que fez sucesso principalmente entre mulheres e gays pelo mundo, parece ter sua ideologia deturpada pelo filme, que transformou a deliciosa frivolidade sexual e consumista (assumida) da mulher nova-iorquina moderna do seriado em um melodrama patético e elitista encenado por "pobres" damas ricas e problemáticas.
A impressão é a de que o filme, que lucrou mais de US$ 55,7 milhões em seus três primeiros dias de exibição nos EUA, além dos cigarros de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) e de cenas de sexo com Samantha Jones (Kim Cattrall), também desapareceu com o equilíbrio entre superficialidade e profundidade, tão importante e bem trabalhado na série.
A trama do longa se passa quatro anos após o fim da série, o que, no início do filme, atrapalha um pouco quem não viu nenhum episódio. Após uma localização do que aconteceu com as personagens desde o fim da série, revelando onde cada uma está hoje, a produção aposta em viradas dramáticas que pouco combinam com o estilo das protagonistas e que torna o roteiro um desfile sem graça de clichês.
Mesmo com a presença das grifes famosas, dos coquetéis e das conversas sobre sexo, que fizeram o sucesso da série, "Sex and the City - O Filme" peca pelo excesso de dramalhão, pelo patetismo de Carrie em relação a Big e pelo pouco espaço dado as amigas da jornalista como Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) --que parece ter se tornado a rainha do moralismo-- e a doce e sempre heroína Charlotte York (Kristin Davis) dentro da trama.
Outra falha grave se deve aos figurinos trajados pelo quarteto que, em uma tentativa de mostrar a marca "Sex and the City" como precursora dentro do universo fashion, errou a dose e deixou as protagonistas com looks desastrosos e ridículos em muitas cenas.
Os destaques do filme vão para os vestidos de noiva que Sarah Jessica Parker exibe em um ensaio para "Vogue", para a participação elegante de Jennifer Hudson como a assessora pessoal de Carrie, para a fofa filha de Charlotte, Lily, e para a trilha sonora, que conta com artistas diversos e bacanas como The Weepies, Duffy e a própria Hudson.
No balanço geral, a sensação que fica é a de que os fãs não devem gostar da adaptação --por "matar" em certos aspectos a aura da série-- e, quem nunca viu o seriado, além de se sentir perdido em grande parte da história, deve sair dos cinemas com uma forte (e enganosa) sensação de "déjà-vu".
O filme parece atestar que o tempo não torna o ser humano mais tranqüilo, inteligente e compreensível. Se depender de Carrie e sua turma no longa, o passar dos anos nos deixará apenas mais caretas, dramáticos, cafonas e temerosos da solidão.
Leia mais
- Estrela de "Sex & the City" revela luta contra câncer de mama
- Disco de "Sex and the City" esgota no Brasil antes da estréia do filme
- Teté Ribeiro relança guia sobre "Sex and the City"
- "Sex and The City" lidera bilheteria no fim de semana nos EUA e Canadá
Livraria da Folha
- "Sex and the City" traz as aventuras originais de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte
- "Saiba como foi o primeiro encontro entre Carrie e Mr. Big em "Sex and The City"
- Livro revela erros de gravação, brigas, censura de cenas e outras loucuras dos seriados de TV
- Livro revela as maiores gafes do cinema e aponta mais de 3 mil erros em filmes famosos
Especial



avalie fechar
avalie fechar