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06/06/2008 - 11h45

Clint Eastwood manda Spike Lee calar a boca

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da Efe, em Londres

O ator e diretor americano Clint Eastwood mandou hoje seu colega Spike Lee "calar a boca". A declaração foi feita após Lee criticar Eastwood por não incluir nenhum soldado negro em dois filmes recentes do diretor.

Reprodução
Spike Lee
Spike Lee (foto) criticou Clint Eastwood de não trabalhar com atores negros

Em sua crítica, Lee se referia aos filmes "A Conquista da Honra" e "Cartas de Iwo Jima", ambos feitos por Eastwood e que narram batalhas travadas perto do final da Segunda Guerra Mundial.

Em entrevista ao jornal britânico "The Guardian", Eastwood justificou sua opção por apenas escalar atores brancos em ambos os filmes. O diretor explicou que nenhum dos soldados negros que participaram daquela batalha levantou a bandeira no monte Suribachi, façanha imortalizada em uma famosa foto. Por isso, usou atores brancos para reviver a cena real em seu filme.

Chris Pizzello/AP
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Diretor Clint Eastwood (foto) mandou colega calar a boca

As críticas de Spike Lee a Eastwood foram feitas no Festival de Cannes deste ano, enquanto Lee anunciava seu próprio filme "Miracle at St Anna", sobre integrantes de uma divisão americana formada por negros, que combateu na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

"Clint Eastwood fez dois filmes sobre Iwo Jima que duram mais de quatro horas no total e nos quais não aparece nenhum ator negro. Caso vocês, repórteres, tivessem coragem, perguntariam por que agiu desta forma", declarou Lee, em Cannes.

Eastwood rebateu as críticas. "O que [ele] quer que eu faça? Uma campanha em defesa da igualdade de oportunidades, por exemplo? Minha missão não é esta. Faço uma leitura histórica. Quando faço um filme baseado em uma história na qual 90% das pessoas envolvidas eram negras, como 'Bird' --sobre o músico Charlie Parker--, uso 90% de atores negros", explicou Eastwood, dizendo que esse não era o caso nos filmes criticados por Lee.

"Quando fiz aquele filme ['Bird', em 1988], ele [Spike Lee] se queixou, pois um branco contracenara. Entretanto, se fiz isto, foi porque ninguém mais havia feito. Ele podia ter falado comigo antes, mas não. Estava fazendo outra coisa", criticou Eastwood.

O próximo projeto de Eastwood, intitulado "The Human Factor", mostrará como o primeiro presidente negro da África do Sul aproveitou a vitória de seu país na Copa do Mundo de rugby em 1995 para incentivar a união nacional. "Não vou transformar Nelson Mandela em um branco", ironizou Eastwood, dando risada.

 

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