Marisa Orth faz show "Romance - Volume 2" hoje em SP
AUDREY FURLANETO
da Folha de S.Paulo
Ela está deitada no chão, de lado. Taça de vinho quase vazia por perto, segura a cabeça com a mão esquerda; o microfone, com a direita. Deixa o cabelo longo cair sobre o ombro à mostra, como uma diva.
| Eduardo Knapp/Folha Imagem |
![]() |
| Marisa Orth canta no ensaio de sua banda, no estúdio Loop, em SP |
"Bom, eu vou ficar jogada aqui, e vocês não fazem nenhuma cara, como se eu caísse sempre, como se fosse normal", diz Marisa Orth à banda que espera a próxima música.
Ela então se vira para o espelho à sua frente e imagina o público: "Você aí? O que é que foi? Ninguém aqui nunca caiu no chão por amor?". Orth, que perdeu as contas de quantas vezes "caiu", cairá outra vez hoje à noite na estréia de seu show em pleno Dia dos Namorados -agora, como cantora-protagonista do espetáculo "Romance - Volume 2".
"É um show-pesquisa para, enfim, ver se entendo alguma coisa de romance", diz ela, numa tarde de ensaio regada a vinho em São Paulo. "Ah, se você soubesse como ando sentindo frio na barriga."
A ansiedade parece não combinar com a carreira: além de subir ao palco desde 1983 como atriz de teatro e de ter se consagrado na televisão como humorista em papéis na "TV Pirata" e como Magda, em "Sai de Baixo", Orth cantou em duas bandas -Luni e Vexame.
"Sim, mas era sempre diferente", justifica, lembrando que, nos dois casos, encarnou personagens ao cantar. Na Luni, era uma performer -"atuava mais que cantava, sabe?".
Mais tarde, nos anos 80, veio a Vexame, resultado de uma pesquisa do amigo Fernando Salém sobre música brega. A banda estreou seu escracho no extinto clube Aeroanta -numa noite de performances como a de Rosana ("como uma deusa") no papel de Janis Joplin. Orth era a apresentadora de TV Maralu Menezes.
"Eu botava um perucão e era a Maralu cantando, não eu. Pensava: "Será que um dia eu vou cantar sem personagem?"." A Vexame nunca terminou de fato. "Vive hibernando", diz Orth, até que os integrantes consigam se reunir.
Mas ela não parou. Costuma gravar músicas e "guardar tudo, por falta de coragem".
No ar no seriado "Toma Lá, Dá Cá", na Globo, Orth recebeu o convite para um monólogo. Havia patrocínio "mesmo sem ter texto", conta. Não encarou e decidiu tomar coragem. "Se eu quiser fazer teatro, tem que ser das tripas, bicho. Vem de dentro. Eu sou das antigas."
Consagrada por papéis em comédia, ela reclama ter recebido "a bitola de humorista na testa". "Eu sou atriz, bicho!" Apesar da queixa, ela vai intercalar no set list de "Romance - Volume 2" pesquisas de, digamos, cultura inútil ("Você sabia que, quando beija alguém, guarda resíduos da pessoa por três dias? Eca!"), além de piadas sobre os tipos de mulher.
"Tem a "mulher-lagosta': só rico come. Tem também o tipo "pizza gigante': dá pra oito!", conta, rindo. "Olha, não é um show pra quebrar imagem. É despretensioso", diz e, pouco depois, completa rindo: "Quero ver se amadureço um pouco e paro de fazer piada".
A proposta é que, na temporada de oito semanas, Orth e a banda transformem o café Uranus num cabaré ao estilo de Bette Midler. "Eu sou muito de improviso, de interação. Gosto do clima de cabaré."
Fendas
"Lamentavelmente solteira", Orth vestirá um sério terno preto para abrir o show com "Minha Fama de Mau", de Roberto e Erasmo Carlos. "É música de quando você está por cima da relação", explica. Ao longo do espetáculo, cantará "Fruto Proibido", de Rita Lee, até chegar a "Sofre", de Tim Maia. Mudará o figurino para um longo vermelho com fendas, "mais gostosa e feminina", já que "o amor expõe a gente, não?".
Não tem medo de se expor demais? "Caguei. A coisa boa de ter mais de 25 anos de carreira é perder a ilusão de que é possível controlar o que falam sobre você. Anota aí: Marisa, 43."
Marisa Orth
Quando: estréia hoje, às 22h; qui., às 22h; até 31/7
Onde: Café Uranus (r. Dr. Carvalho de Mendonça, 40, tel. 0/xx/11/ 3822-2801)
Quanto: R$ 60
Leia mais
- Bonecos e 45 músicos encenam "Pedro e o Lobo" com Giulia Gam
- Carlos Minc será sabatinado no próximo dia 23
- Entenda por que as cantoras são as grandes estrelas da música brasileira hoje
- Nelson Motta narra com paixão a vida eletrizante de Tim Maia na biografia "Vale Tudo"
- Conheça a vida e a carreira de um dos mais polêmicos diretores de teatro do país
Livraria da Folha
- Livro reúne textos sobre teatro, cinema, dança, artes plásticas, literatura e música
- Livro traz crônicas de Bernardo Carvalho sobre teatro, cinema, literatura e artes em geral
- Livro traz CD com grandes nomes da MPB e apresenta contos inspirados em canções brasileiras
- Da MPB ao funk, livro reúne ensaios sobre canções populares do Brasil
Especial


