Ilustrada
14/06/2008 - 10h13

Morre sambista Jamelão, da Mangueira, aos 95 anos

da Folha Online

O sambista Jamelão morreu por volta das 4h30 deste sábado, segundo informações da Casa de Saúde Pinheiro Machado, no Rio de Janeiro, onde estava internado desde a madrugada de quinta-feira.

Seu corpo será velado na Mangueira na tarde deste sábado e enterrado amanhã no cemitério São Francisco Xavier, conhecido como cemitério do Caju, no Rio. A escola de samba lamentou a morte de seu presidente de honra.

Leia depoimentos de personalidades do mundo do samba sobre a morte de Jamelão.

Jamelão morreu em decorrência de falência múltipla de órgãos. Ele havia sido internado com um quadro de infecção pulmonar e urinária. Segundo a clínica, os problemas de saúde eram decorrentes da idade avançada do cantor --ele já havia sofrido acidentes vasculares cerebrais.

Luciana Cavalcanti/Folha Imagem
Jamelão começou tocando tamborim na bateria da Mangueira e depois se tornou intérprete
Jamelão começou tocando tamborim na Mangueira e depois se tornou intérprete

O artista sofria de hipertensão e diabetes e, desde 2006, quando sofreu dois derrames, passou a ter dificuldades para se alimentar. No fim do ano passado, ele foi internado no Rio com um quadro de desidratação e desnutrição.

Carreira

Nascido em 1913, no bairro de São Cristóvão, no Rio, José Bispo Clementino dos Santos ganhou o apelido de Jamelão na época em que se apresentava em gafieiras da capital fluminense. Ele começou ainda jovem tocando tamborim na bateria da Estação Primeira de Mangueira e depois se tornou um dos principais intérpretes da escola.

Passou para o cavaquinho ainda jovem, e depois conseguiu trabalhos no rádio e em boates. Sua consagração veio como cantor de samba. Entre seus sucessos estão "Fechei a Porta" (Sebastião Motta/ Ferreira dos Santos), "Leviana" (Zé Kéti), "Folha Morta" (Ary Barroso), "Não Põe a Mão" (P.S. Mutt/ A. Canegal/ B. Moreira), "Matriz ou Filial" (Lúcio Cardim), "Exaltação à Mangueira" (Enéas Brites/ Aluisio da Costa), "Eu Agora Sou Feliz" (com Mestre Gato), "O Samba É Bom Assim" (Norival Reis/ Helio Nascimento) e "Quem Samba Fica" (com Tião Motorista).

Nos anos 50 começou a atuar como intérprete de samba-enredo para a Estação Primeira de Mangueira. Em 1997 a gravadora Continental lançou a coletânea "Jamelão - A Voz do Samba", em 3 CDs.

Em junho de 2005, Jamelão causou alvoroço durante a São Paulo Fashion Week. De terno branco, chapéu e bengala, entrou na passarela depois que as modelos saíram de cena. Com passos curtos e andando bem devagar, o cantor fez todos na sala de desfiles se levantarem para o aplaudirem de pé.

Comentários dos leitores
Ana Maria Kuhlmann (1) 14/06/2008 18h25
Ana Maria Kuhlmann (1) 14/06/2008 18h25
Puxa, cresci ouvindo esse homem cantar. Tenho 32 anos e conheço poucos da minha idade que conhecem a música dele. Tudo "culpa" dos meus pais. Certo dia, o encontrei com várias pessoas num restaurante em São Paulo. Não tive dúvidas, fui lá pedir um autógrafo. Ele então falou, com uma cara fechada: "Ah, não consigo escrever com esses elásticos, minha letra vai sair feia". Eu disse que não tinha problema.. que tinha crescido ouvindo ele cantar e que daria aquele autografo à minha mãe, que é muuuuito fã dele. Ele deu uma risadinha e começou a escrever no pedaço de papel. UMA LETRA LINDA e caprichada!!!!!! Foi demais. Enquanto ele dava o autografo, um homem que o estava acompanhando perguntou se eu não queria um autografo dele tb... "eu sou filho dele" me disse. Na hora Jamelão falou:"Imagina isso! eu sou bonito, não tenho filho feio desse jeito!". E todos cairam na risada. Realmente um falso mal humorado. Virei mais fã ainda. Infelizmente, hoje cedo eu dei a notícia pra minha mãe. Sei o quanto ela ficou triste, assim como eu, assim como muitos. Que Deus ilumine seu caminho, onde quer que ele esteja. sem opinião
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RIO DE JANEIRO / RJ
Lamentável. Uma perda para o samba. Seu vozeirão era único. Vá com Deus. 2 opiniões
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SAO PAULO / SP
Fala Mangueira ! Com a morte de Jamelão a Mangueira ficou mais empobrecida ainda. Posso dizer que como mangueirense que sou, a Estação Primeira de Mangueira não tem mais raízes, de chão.
Beth Carvalho, a cantora, encontrou agora um lugar para sair em um dos carros da Escola.
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