"CQC" faz protesto em Brasília para entrar no Congresso
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O programa "CQC (Custe o Que Custar)", da Band, realizou nesta quinta-feira (19) um protesto em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. A equipe do programa questiona a proibição às gravações nas dependências do Poder Legislativo.
O humorista Rafinha Bastos gravou o quadro "Proteste Já", com a imagem do Congresso ao fundo, na tentativa de convencer a Câmara e o Senado a autorizarem repórteres do programa a entrevistar parlamentares dentro do Congresso.
"A gente também faz isso [jornalismo], mas faz de uma forma irônica e bem-humorada. Isso está assustando a figura política. Tomara que eles [parlamentares] se dêem conta que vão poder usar essa nova linguagem a favor deles e que isso pode ser interessante", afirmou Bastos.
O programa lançou uma campanha na internet para mobilizar os simpatizantes em favor do ingresso do "CQC" no Legislativo. A Câmara dos Deputados chegou a explicar à Folha Online que o veto não é somente ao "CQC", mas a outros programas humorísticos, como "Pânico na TV!" e "Casseta & Planeta".
Bastos, que é jornalista, disse que nunca imaginou ter cerceado o seu direto de ingressar no Congresso. "Eu nunca imaginei que perderia a credencial para entrar no Congresso, tudo aqui é uma incógnita. A gente está fazendo o possível para poder trabalhar. Jornalista quer perguntar, criticar. É isso que a gente quer fazer."
Respeito
O humorista disse que a intenção do programa não é desrespeitar as regras de protocolo impostas pelo Congresso, mas apenas ter o direito de abordar os parlamentares dentro da sede do Legislativo.
"Nunca o CQC vai entrar fantasiado no Congresso Nacional. A gente vai lá para perguntar e criticar. Eu pergunto: será que existe uma equipe do Congresso Nacional para diferenciar uma equipe jornalística de uma humorística?"
A gravação chamou a atenção de estudantes de uma escola de Brasília que se dirigiam para visitar o Congresso. Vários alunos também protestaram contra a proibição ao "CQC", pois consideram que o programa tem autonomia para representar a população brasileira dentro do Legislativo.
"Acho que estão com medo [de dar a credencial de jornalista para o programa] porque o pessoal do CQC faz as perguntas que o povo quer saber", disse um dos alunos.
120 mil assinaturas
O programa informa já ter reunido mais de 120 mil assinaturas de
apoiadores às gravações do "CQC" no Congresso. A Câmara, no entanto, não se mostrou sensível aos apelos dos humoristas.
Assessores da Câmara argumentaram à Folha Online que o programa é humorístico, por isso os seus integrantes não podem circular como jornalistas dentro do Congresso para abordar os deputados e senadores.
Explicações
A assessoria de imprensa da Câmara alega ainda que os integrantes do programa não cumpriram o compromisso firmado com Casa quando realizaram gravações com os parlamentares, há cerca de duas semanas, nas dependências internas do Legislativo. A Câmara afirma que, na ocasião, os integrantes do "CQC" foram alertados sobre a impossibilidade de realizarem perguntas aos deputados e senadores que depreciassem a imagem da instituição --mas insistiram em perguntas constrangedoras.
Outro argumento utilizado pela Casa é que a legislação brasileira impede a cessão de espaços públicos para a gravação de programas sem fins jornalísticos --embora permita exceções temporárias. A Câmara nega, porém, que haja um veto específico ao "CQC" --mas sim a regra de que programas humorísticos não podem usar o espaço do Congresso para realizar o seu trabalho.
No caso específico do "CQC", a Câmara ainda argumenta que o grupo solicitou inicialmente o pedido de credenciamento como jornalistas da TV Bandeirantes. Ao constatar que os pedidos eram referentes ao programa, a Casa decidiu negar o pedido de credenciamento.
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