Chris Garneau diz que é bizarro ouvir suas músicas em séries de TV
TINO MONETTI
Colaboração para a Folha Online
O jovem cantor e compositor norte-americano Chris Garneau, 25, que está no Brasil para um par de shows em duas unidades do Sesc, revelou que acha "bizarro" ouvir suas composições em séries de TV.
| Tino Monetti/Folha Online |
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| Chris Garneau revelou que acha "bizarro" ouvir suas músicas em séries de televisão |
"Não sei se com os outros artistas funciona assim, mas para mim foi estranho", afirmou o artista. "Foi bizarro. Fiquei lisonjeado, mas foi muito esquisito".
Em entrevista exclusiva à Folha Online, o músico prodígio --que já teve três de suas canções executadas em cenas do seriado "Grey's Anatomy"--, falou sobre seu processo de criação, suas principais influências na música e na literatura, seus shows no Brasil e a solidão que o acompanhou em parte da construção de sua trajetória.
Com um disco de 2006, "Music For Tourists", e um EP do ano passado batizado de "C-Sides" em sua carreira, Garneau atualmente finaliza seu segundo álbum, com lançamento previsto para o início de 2009.
Hoje (19), às 20h, o músico faz sua última apresentação no Brasil, no Sesc Campinas. A entrada para a apresentação, que contará com as violoncelistas Anna Katherine Callner e Eleanor Anne Norton, é gratuita.
Folha Online- Depois do Brasil, você tocará em Nova York, onde você mora atualmente, e na França, onde você viveu alguns anos de sua infância. Qual é sua relação com estes lugares?
Chris Garneau- Quando vivi na França por três anos, estava com minha família. Fui para lá com 8 anos de idade. Musicalmente, foi a época em que mais estudei piano e que a música clássica me influenciou muito como artista. Viver na França naquele momento [início dos anos 90], tão jovem, e aprender a língua e uma cultura diferente foi muito importante para mim. Aprendi muito sobre o mundo. Quando voltei aos EUA, fomos viver em New Jersey, onde passei grande parte da adolescência. Quando me mudei para NY, conheci muitas pessoas selvagens e foi uma mudança de vida louca. Conheci o universo da música independente local e aprimorei minha música. Estas duas experiências, em dois locais diferentes, formaram quem sou hoje.
Folha Online- Quais são suas principais influências musicais hoje?
Garneau- Ultimamente tenho escutado muito Neil Young. Tive também uma nova fase Patsy Cline, ouvindo muitas de suas canções novamente. Arthur Russell também, que é um artista extraordinário.
Folha Online- Entre suas composições próprias, qual é sua favorita?
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| Músico de Nova York se apresenta em SP; cantor toca hoje (19) no Sesc Campinas |
Garneau- Já que as minhas canções de "Music For Tourists" foram gravadas há um tempo, às vezes, é um desafio tocar as mesmas músicas antigas sempre. As que ainda gosto muito e me divirto ao tocar são "Castle Time" e "Not Nice", principalmente desde que comecei a usar o harmônio. Quando vou a um show, gosto de ouvir arranjos e estruturas diferentes das utilizadas no álbum do artista. E acho que faço isso também, inconscientemente, em minhas apresentações.
Folha Online- Você gosta de ser um artista independente ou você tem vontade de ser famoso, uma estrela do pop?
Garneau- Eu não me sinto preso na música independente. Ainda mais hoje, já que o termo cresceu e abarcou muitas classificações. Existe uma linha tênue entre o mainstream e o independente. Meu objetivo é ser bem sucedido e manter uma boa carreira em minha vida. Para isso, tenho que vender discos, fazer turnês e tocar para o maior número de pessoas possível. Não tenho intenção de ser uma estrela, não sou bom no lado extravagante da fama. Isso me deixa constrangido.
Folha Online- Qual seu livro predileto, tanto na infância como hoje?
Garneau- Um de meus livros favoritos, que li nos últimos anos, é "Close to the Knives: A Memoir of Disintegration", de David Wojnarowicz. Ele era um artista que fez sucesso na cena artística nova-iorquina nos anos 70 e 80 e morreu em 1993, vítima da Aids. Ele também fazia música e tinha uma banda. Sua arte era incrível, assim como seu livro, uma espécie de autobiografia cheia de histórias loucas, sem o uso de pontuação ou estruturas formais. Quando criança, eu gostava de "Goodbye Moon" [de Margaret Wise Brown e Clement Hurd], que minha mãe costumava ler para mim antes de dormir. Nos EUA, este livro é conhecido por ser muito querido entre os gays.
Folha Online- Você gostaria de ser criança novamente? Você pensa sobre isso?
Garneau- Não, realmente não tenho nenhuma nostalgia neste sentido. Quando você tem 2 ou 3 anos, é mais fácil, você não entende bem o mundo e é gostoso. Depois disso, acho que é uma fase aterrorizante, na qual suas percepções te enganam. Não deixei de gostar da minha infância, mas também a não amei. Nunca tive vontade de voltar a ser criança, gosto da minha vida hoje.
Folha Online- "Between The Bars" é um cover de Elliott Smith. Por que você decidiu regravar esta música?
| Tino Monetti/Folha Online |
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| Cantor autografa cópias de seus CDs após apresentação no Sesc Santana, em SP |
Garneau- Elliott foi a minha primeira grande influência, não só na música. Ele me abriu um novo horizonte que até me chocou, de certa forma, por ser tão profundo. Eu sempre toquei esta música, desde o início do meu aprendizado no piano. Ele morreu enquanto eu gravava meu primeiro disco e, no final das contas, acho que foi importante fazer uma memória oficial dele que fosse pública.
Folha Online- Por que seu primeiro álbum se chama "Music For Tourists" (Música para Turistas)?
Garneau- É uma história boba que se tornou séria. Eu tocava em um bar em Los Angeles, há muito tempo, e alguém me disse que eu tocava em uma área muito turística e eu respondi que minha música era para turistas. A piada acabou virando o nome do disco. Tempos depois, o nome ganhou ainda mais sentido, principalmente porque as músicas falam sobre solidão, mudança de lugares, conhecer e perder pessoas, ir e vir, etc. Isso acabou dando um sentido real ao título.
Folha Online- Na música "The Island", você também fala sobre solidão. Você é uma pessoa solitária?
Garneau- Hoje em dia não, mas na época em que escrevi esta canção, mesmo rodeado de pessoas que eu amava, eu não me sentia conectado a elas. Nesta época, escolhi me isolar do mundo. Isso me surpreende em NY, porque você tem milhões de pessoas em volta, mas pode se sentir muito só. Gosto de ficar sozinho, às vezes, mas amo me comunicar com as pessoas que estão em minha vida.
Folha Online- Algumas músicas suas tocaram na série "Grey's Anatomy". Como é ouvir suas composições em um seriado de TV?
Garneau- É muito estranho. Não sei se com os outros artistas funciona assim, mas para mim foi estranho. A série usou três músicas minhas e uma funcionou bem, entendi seu uso no contexto da edição, bem dramática. Mas as outras não. Foi bizarro. Fiquei lisonjeado, mas foi muito esquisito.
Chris Garneau em Campinas
Quando: hoje (19), às 20h
Onde: Sesc Campinas (r. Dom José 1º, 270, Bonfim, Campinas, tel. 0/xx/19/3737-1515)
Quanto: grátis
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