Beckett é influência central para Tom Stoppard
RAFAEL CARIELLO
da Folha de S.Paulo
Tom Stoppard, 70, é autor de peças em que predominam ou se combinam características existencialistas (ou próprias do teatro do absurdo) e políticas. Estreou em 1966, com "Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos". Os personagens mais que laterais de Shakespeare em "Hamlet" aparecem ali em diálogos e estrutura que devem muito ao dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989), sobretudo à sua peça "Esperando Godot".
| Amie Stamp/Divulgação |
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| Dramaturgo britânico Tom Stoppard é uma das principais atrações da feira literária |
Nascido Tomás Straussler na antiga Tchecoslováquia, de família judia, a fuga do nazismo terminou por levar sua mãe à Índia, onde foi alfabetizado em inglês. Em 1945, sua mãe se casou com o oficial do exército inglês Kenneth Stoppard, que deu seu sobrenome às crianças. Stoppard chegou ao Reino Unido aos nove anos de idade, um ano após o término da Segunda Guerra Mundial.
Crítica ao totalitarismo
No final da década de 70, Stoppard viajou pela União Soviética e Leste Europeu, e escreveu peças em que criticava o absurdo de regimes totalitários. "Every Good Boy Deserves Favour" (todo bom rapaz merece favor), de 1977, trata de um dissidente soviético preso numa instituição psiquiátrica, e "Cahoot's Macbeth", de 1979, apresenta uma versão curta da peça shakespeariana encenada diante de um militar representante de um regime comunista.
Suas peças mais recentes voltam à temática da ideologia e do Leste Europeu. "The Coast of Utopia", de 2002, é uma trilogia com nove horas de duração sobre intelectuais radicais russos no século 19. Em 2007, a montagem americana da trilogia ganhou sete prêmios Tony, o Oscar do teatro.
No cinema, além de "Shakespeare Apaixonado", assinou adaptações de romances de J.G. Ballard ("O Império do Sol"), John Le Carré ("A Casa da Rússia") etc.
Na Flip, no próximo dia 5 de julho, Stoppard vai falar sobre "Shakespeare, Utopia e Rock'n'Roll", tendo como companheiro de mesa o escritor Luis Fernando Veríssimo, que ele diz não conhecer. O dramaturgo vem pela primeira vez ao Brasil e perguntou à reportagem como seria o clima em Paraty: "Um pulôver basta?".
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