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01/07/2008 - 18h16

Veja perfil de Lorenzo Mammì

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da Folha Online

Radicado no Brasil há mais de 20 anos, o crítico italiano Lorenzo Mammì debaterá com o músico Carlos Lyra, na Flip-2008, as relações existentes entre as inovações formais atingidas pela música popular brasileira, em especial a bossa nova, e a ideologia desenvolvimentista, como um desdobramento de um projeto ao mesmo tempo popular e elitista.

Divulgação
Escritor Lorenzo Mammì, que participa da Flip-2008, em Paraty
Escritor Lorenzo Mammì, que participa da Flip-2008, em Paraty

Doutor em Filosofia pela USP (Universidade de São Paulo), onde leciona filosofia medieval, Mammì tem comprovada afeição ao ramo da filosofia da música, suas implicações sociais, da crise do escopo modernista aos desvios formais experimentados em diversos momentos da música brasileira, como o tropicalismo e a bossa nova, que comemora 50 anos de história neste ano.

Seu ensaio "João Gilberto e o Projeto Utópico da Bossa Nova", publicado na revista "Novos Estudos" (Cebrap, 1992), deve guiar o debate com Carlos Lyra. O crítico usa a figura emblemática de João Gilberto para atá-lo a uma perspectiva social, ou seja, a síntese da bossa nova acabaria por responder não só a uma expectativa político-social, mas satisfazer também diante dos embaraços de nossa história.

Tom Jobim, que Mammì analisa em seu livro "Três Canções de Tom Jobim" (Cosac Naify, 2004), seria então o eixo que equilibraria o aparente aspecto amador (dos improvisos entalados do jazz e do "desafino" temático) da bossa nova, ou seja, o modelo ideal a ser perseguido pelo estilo.

Não se trata de uma crítica implacável à bossa nova, apenas uma forma de detectar os pontos críticos e os possíveis motivos desse período da história brasileira (social, político, cultural). O que Mammì realiza é uma apurada reflexão, partindo da estrutura ideológica que guiava a música do início dessa segunda metade do século, sem fazer uma censura, que seria despropositada. Um estudo crítico, que observa o percurso da bossa nova, tendo como patamar o registro maior da sociedade de então.

A mesa de discussão que reúne os dois na Flip-2008 deve atrair grande público, unindo a arte de Lyra com a visão crítica e equilibrada de Mammì. Ou seja, o espectador terá a possibilidade de acompanhar um debate rico, da vivência (dentro) cheia de histórias para contar com a observação (fora) digna da apreciação estética.

Fonte: Flip; Cosac Naify

 

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