Veja perfil de Roberto Schwarz
da Folha Online
A partir de um texto inédito a respeito de "Dom Casmurro" (1899), o crítico literário Roberto Schwarz abre a 6ª edição da Flip, que este ano homenageia o escritor Machado de Assis (1839-1908). Apresentando uma versão preliminar do ensaio que depois seria publicado em "Duas Meninas" (Cia. das Letras, 1997) o ensaísta trabalha em torno da questão do preconceito social como base fundadora do mais festejado romance da literatura brasileira, com "Grande Sertão: Veredas" (1956), de Guimarães Rosa.
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| O crítico literário e escritor Roberto Schwarz, que abre a Flip-2008 |
Para ele, Machado de Assis propõe um jogo de espelhos, em que ao mesmo tempo que ilude o leitor, compactua com os preconceitos típicos de uma época tão desconfiada quanto Bento Santiago (o Bentinho), protagonista de "Dom Casmurro".
Schwarz nasceu em Viena, na Áustria, em 1938, e é hoje um dos principais nomes da crítica brasileira e, sem dúvida, norte para a interpretação da obra do "bruxo do Cosme Velho". Seus ensaios tocam o resgate histórico concebido por Antonio Candido, ou seja, a relação que há entre a forma literária e o processo social a partir dos primórdios do romance brasileiro.
Desde a publicação de "Ao Vencedor as Batatas", em 1977 (editora 34, 2000), no qual analisa a prática do favor nos primeiros romances machadianos, passando por "Um Mestre na Periferia do Capitalismo" (editora 34, 2000), em que expõe a ambivalência das ditas ideologias da elite, Schwarz esquadrinha, sempre de um modo lógico, como Machado de Assis se tornou a principal voz de nossa literatura.
Apesar de dedicar boa parte de sua crítica ao homenageado deste ano da Flip, o crítico já analisou diversos ícones da sociedade, mundial e brasileira: Theodor Adorno (1903-1969), Ruy Guerra (1931), Anatol Rosenfeld (1912-1973), Franz Kafka (1883-1924), Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977). Não se trata de haver uma militância crítica nos escritos de Schwarz, mas antes em propor deslocamentos que posicionam o leitor em um universo geralmente movediço como o da crítica.
Dentre suas principais obras, podemos citar, além daquelas em que trata de Machado, "A Sereia e o Desconfiado" (1981, Paz e Terra), "O Pai de Família" (2008, Cia. das Letras), "Que Horas São?" (1987, Cia. das Letras) e "Seqüências Brasileiras" (1999, Cia. das Letras).
Certamente, a palestra de abertura da Flip tem importância na revitalização da análise de Schwarz a respeito da obra machadiana, além de ressaltar o papel da crítica hoje.
Fonte: Flip; Página sobre Machado de Assis; Cia. das Letras; Editora 34
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