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Ilustrada
27/06/2008 - 18h34

Comentário: Com apelo gay, "Onde Andará Dulce Veiga?" cativa por experimentalismo

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TINO MONETTI
Colaboração para a Folha Online

Carolina Dieckmann na pele de uma roqueira lésbica e drogada. Um ardente beijo gay entre Carmo Dalla Vecchia e Eriberto Leão. Um jornalista obcecado por encontrar uma diva desaparecida. Uso de arte visual para realçar apelo estético do filme. Uma das histórias mais interessantes e intrigantes de Caio Fernando de Abreu.

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Atriz Maitê Proença encarnca Dulce Veiga, figura central no filme de Guilherme de Almeida Prado que estréia hoje
Atriz Maitê Proença interpreta diva Dulce Veiga, figura central no filme de Guilherme de Almeida Prado que estréia nesta sexta-feira

Estes são alguns dos elementos que devem ajudar o filme "Onde Andará Dulce Veiga?" --que estréia hoje (27) nos principais cinemas do país-- a alcançar um status de culto dentro da cinematografia brasileira. Ou, ao menos, marcar seu lugar no olimpo dos projetos nacionais que ousam arriscar e quebrar regras.

Dirigido por Guilherme de Almeida Prado, o longa-metragem conta a história do jornalista Caio (Eriberto Leão) que, nos anos 80, quer descobrir o paradeiro de Dulce Veiga (Maitê Proença), uma atriz e cantora de sucesso desaparecida na década de 60.

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Entre idas e vindas, novas descobertas e um desfile de personagens secundários inusitados e brilhantes, Caio tenta encontrar a diva para juntar as peças do quebra-cabeça que se transformou sua vida desde que ingressou na redação do jornal.

Apelo gay

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Carolina Dieckmann vive roqueira lésbica Márcia Felácio em filme baseado em Caio Fernando Abreu
Carolina Dieckmann encarna roqueira lésbica Márcia Felácio em longa-metragem de Prado

Auxiliado por seu chefe e apaixonado pela filha de Dulce, a revoltada roqueira homossexual Márcia Felácio (Carolina Dieckmann, talvez no papel mais desafiador de sua carreira), Caio busca achar respostas para dilemas da trama misteriosa ao mesmo tempo que o espectador.

A história do longa-metragem é cativante, principalmente por seu caráter experimental. Ao mesclar arte visual com clima noir e certa transgressão narrativa, o filme de Prado foge do lugar-comum e se destaca como uma das melhores produções sobre diversidade sexual já feitas no país (ao lado, talvez, de "Madame Satã", de Karim Aïnouz).

Dieckmann, por exemplo, comanda uma banda de riot girls bastante masculinizada --as Vaginas Dentadas-- e aparece com os seios à mostra em diversas cenas. Já Dalla Vecchia --que atualmente vive o galã da novela global "A Favorita"-- encarna um michê transformado em drag queen viciada que, em certa cena, beija Eriberto Leão.

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Guilherme de Almeida Prado dirige Eriberto Leão em "Onde Andará Dulce Veiga?"
Guilherme de Almeida Prado dirige elenco em cena do filme "Onde Andará Dulce Veiga?"

Ritmo

Além do forte apelo gay, "Onde Andará Dulce Veiga?" também conquista pela trilha sonora pontual --parte essencial do roteiro, vale destacar-- e pela direção conduzida com maestria por Prado.

O diretor, quiçá por ter sido parte fundamental do processo de criação da história original, acerta no elenco, na fotografia, nas locações e, principalmente, no ritmo do filme, muito próximo ao dos livros de Caio Fernando Abreu.

Ressalva

A ressalva acontece no fim dos 135 minutos do longa-metragem. A cena do beijo final --que por si já é um clichê-- não funciona e nem cabe no resto da trama que se viu antes. É o único momento que vale esquecer.

Porém, como atesta a personagem de fenomenal de Proença (que briha cada vez que aparece na tela), muitas vezes, as respostas não precisam ser óbvias ou terem razões plausíveis. Em outras, não precisam nem, ao menos, ser encontradas.

"Onde Andará Dulce Veiga?" entra em cartaz nos principais cinemas do Brasil hoje.

 

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