Veja perfil de Elisabeth Roudinesco
da Folha Online
Elisabeth Roudinesco, filha de um casal de médicos que nasceu em Paris, em 1944, é detentora de vários títulos e cargos acadêmicos e tem seus livros traduzidos para 30 línguas. Psicanalista e historiadora da psicanálise, ela é formada também em letras-lingüística e teve aulas com o estudioso, semiólogo e historiador francês de origem búlgara, Tzvetan Todorov (1939).
| Divulgação |
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| A escritora e psicanalista Elisabeth Roudinesco, que participa da Flip-2008 |
É membro da comissão científica da revista History of Psychiatry da Universidade de Cambridge.
Roudinesco começou a ganhar destaque no âmbito acadêmico após a publicação, nos anos 70, de artigos crítico-literários sobre Raymond Roussel (1877-1933), Antonin Artaud (1846-1948), Bertolt Brecht (1898-1956).
Ao final dos anos 70 ela passou a dedicar-se à redação da obra "História da Psicanálise na França" (Jorge Zahar, 1989), para o qual teve como modelo o livro de Henri Ellenberger "Histoire de la Découverte de l'Inconscient" (algo como "História da Descoberta do Inconsciente"), que tem por referência metodológica a escola francesa de George Canguilhem (1904-95) e Michel Foucault (1926-84), que ela preserva. Com Henri Ellenberger desenvolveu uma concepção do freudismo fundada sobre a arquivística que tem por fruto a "A Análise e o Arquivo" (Jorge Zahar, 2006).
Sua produção é extensa. Desde 1977, com "Pour Une Politique de la Psychanalyse" (algo como "Por uma Política da Psicanálise") até 2007 com a publicação de "A Parte Obscura de Nós Mesmos - Uma História dos Perversos" (Jorge Zahar, 2008), publicou 11 livros, muitos traduzidos para o português, e diversos artigos em periódicos científicos e em jornais como o "Le Monde" ou "Libération". Participou de documentários sobre Sigmund Freud (1856-1939), Jacques Lacan (1901-81), e foi tema de um documentário-entrevista.
Seu tema favorito, e sua especialidade, é o papel da psicanálise na sociedade, constatando a maneira pela qual a psicanálise se implantou como movimento e como sistema de pensamento: Roudinesco mostra que a França é o único país onde, ao longo do tempo, foram reunidas as condições necessárias à implantação bem-sucedida do freudismo na vida cultural e científica.
Sua erudição se faz ver também em 1993, em uma obra sobre Lacan, último grande intérprete de um freudismo original que introduziu genialmente a essência da filosofia alemã --Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), Friedrich Nietzsche (1844-1900), Martin Heidegger (1889-1976)-- na obra de Freud.
Recentemente, Roudinesco voltou a destacar-se por expor sua opinião sobre questões como o anti-semitismo, a adoção de crianças e ao casamento homossexual. Ela é favorável à interdição do véu islâmico nas escolas e participa ativamente de debates sobre o inato e o adquirido, a genética, a clonagem, separação entre religião e Estado etc.
Sua participação na Flip tratará de autores de diversas nacionalidades cuja obra se relaciona diretamente com a psicanálise, como William Shakespeare, James Joyce (1882-1941), Italo Svevo (1861-1928), Philip Roth (1933), Machado de Assis (1839-1908) e outros.
Fonte: Flip; Perfil da autora na Jorge Zahar Editor
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