Ilustrada
01/07/2008 - 18h21

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da Folha Online

"Os livros que não lemos". Assim vai se chamar uma mesa na Flip. Com certeza o impacto e a ousadia do nome dessa mesa deve atrair mais público do que assustar os possíveis interessados. Explica-se: além do tema gerar um inusitado interesse pela defesa de uma tese polêmica (não é preciso ler um livro para falar dele) por parte do psicanalista e professor de literatura Pierre Bayard, quem mediará a discussão é Marcelo Coelho.

Renato Stockler/Folha Imagem
O jornalista e escritor Marcelo Coelho, que participa da Flip-2008
O jornalista e escritor Marcelo Coelho, que participa da Flip-2008

Articulista da Folha de S. Paulo desde 1983, Coelho faz parte do Conselho Editorial do jornal, além de escrever semanalmente para a Ilustrada sobre cultura e sociedade (desde 1990). Formado em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela USP (Universidade de São Paulo), publicou livros de ficção, crítica e literatura infanto-juvenil. Coelho também é blogueiro da Folha Online.

Versatilidade é o termo mais adequado para falar desse paulista. Seus textos abrangem distintos aspectos da sociedade hoje e estabelecem paralelos às vezes surpreendentes e muito bem tramados.

De ficção, Coelho escreveu dois livros: "Noturno" (Iluminuras, 1992) e "Jantando com Melvin" (Imago, 1998), que são marcados justamente por essa capacidade de tratar de assuntos tão variados (a dicotomia entre os gêneros, a culpa e sua expiação, as situações corriqueiras impalpáveis em que mesmo as pequenas coisas fogem ao controle).

Como ensaísta, seu "Crítica Cultural: Teoria e Prática" (Publifolha, 2006) é hoje referência para quem pretende lidar com a observação dos meios culturais para poder interpretar a contemporaneidade pelo caminho da arte e suas diversas manifestações. Trata-se de um guia prático, de cuidada elaboração didática, que, longe de assumir o tom professoral adotado por muitos livros voltados ao assunto, vai direto ao ponto.

A presença de Coelho à mesa 16 para discutir o impacto das teses incomuns de Bayard servirá não para opor-se a uma determinada visão de literatura [e como essa deve ser encarada], mas antes para pôr uma discussão hoje fundamental em um panorama diacrônico e muito sintomático: o número cada vez menor de leitores dos grandes clássicos da literatura, apenas para ficar no exemplo mais pontual, evidencia um processo mais complexo que ultrapassa a mera crítica à afirmação de Bayard.

Fontes: Flip; Blog do Marcelo Coelho; Iluminuras; Editora Imago; Publifolha

 

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