Veja perfil de Carlos Lyra
da Folha Online
Em meados de 1959, era lançado um disco histórico: "Bossa Nova", de Carlos Lyra (1936). Na época, o carioca não tinha consciência da importância que esse LP teria a toda uma geração que seria por ele influenciada. Sequer poderia imaginar que o estilo chamado de bossa nova teria fôlego até os dias de hoje --e chega a se surpreender quando um jovem hoje lhe diz ser fã do estilo.
| Divulgação |
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| O compositor e músico Carlos Lyra participa da 6ª edição da Flip, que ocorre em em Paraty |
Lyra, pode-se assim dizer, deu as bases para essa música de "classe média". "Menina", "Barquinho de Papel" e "Quando Chegares" deram apenas o primeiro passo que elevaria o Brasil à esfera internacional, mas não parou por aí: nesses 50 anos de bossa nova, Lyra lançou mais de 20 álbuns, sem contar as compilações feitas em todas as partes do mundo, além de ter escrito três livros, dos quais o maior destaque é, sem dúvida, o seu "Carlos Lyra, Eu e a Bossa - Uma História da Bossa Nova" (Casa da Palavra, 2008), a ser lançado na Flip-2008.
Nesse livro, além de contar a sua própria vida e trajetória, cheia de deliciosas histórias de quem conviveu com um Vinicius de Moraes (1913-80), Miúcha (1937), João Gilberto (1931), Roberto Menescal (1937), João Donato (1934), o cantor e compositor situa a música --e a sua música-- no contexto social brasileiro, as implicações nos costumes de uma "nova" classe média que agora passaria a apreciar um estilo que tinha no cool jazz (de Chet Baker (1929-88), por exemplo) a sua principal fonte de inspiração.
Perfeitamente adequado o debate proposto pela Flip, na mesa 3 ("Retrato em Preto e Branco"), que fará com o crítico italiano Lorenzo Mammì, professor da USP, em função dos 50 anos da bossa nova.
Tanto Lyra como Mammì propõem leituras parecidas na observação do que foi esse movimento e das marcas deixadas ainda hoje. Enquanto Mammì apresenta sua visão acadêmica de crítico de arte, dissecando os diversos momentos da evolução da música brasileira a partir dos anos 50, elegendo como norte as profundas transformações sociais pelas quais o país passava, o compositor ilustrará a discussão com suas histórias e com sua experiência de quem esteve lá, tendo sido um dos fundadores do movimento.
Fontes: Flip; Site de Carlos Lyra
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