Veja os destaques da Flip na sexta-feira, 4
da Folha Online
O segundo dia da Flip se destaca pelos diferentes tratamentos dados ao tema literário: temos um David Sedaris, com seu humor que germina no solo da instituição familiar, da homossexualidade, dos valores norte-americanos; temos também a cineasta Lucrecia Martel, expoente do novo cinema argentino, com seus enredos destroçados em pequenos cacos. Ingo Schulze vem ao Brasil para contar um pouco o processo de elaboração de suas histórias ambientadas em um território minado como o da Alemanha pós-queda do Muro de Berlim (1989) e o do gênero breve (o conto).
Às 10h, o alemão Ingo Schulze debaterá com Modesto Carone e Rodrigo Naves, na mesa 6, o modus operandi de suas histórias e a importância do conto nos nossos tempos. Representante do Wenderoman (que guia a nova literatura alemã reunificada), o autor trata de temas espinhosos em sua literatura. Seu "Celular - Treze Histórias à Maneira Antiga" (Cosac Naify, 2008) parece olhar mais de perto à sociedade que rodeia seus narradores --tão perto que chega a tornar turva qualquer tentativa de orientação narrativa, estratagema típico do gênero breve.
Lucrecia Martel, por sua vez, na mesa seguinte, às 11h45, talvez seja o destaque maior deste segundo dia da Flip. Apesar de ser representante da linguagem visual do cinema, seus filmes tocam o específico verbal literário, com diálogos sempre ruidosos, onde mais do que se fazer entender, faz-se sentir --é a experiência verbal levada ao extremo por essa diretora argentina [que também escreve seus roteiros].
Seu longa "A Menina Santa" (2004) a consagrou no cenário nacional, quando foi premiado na Mostra Internacional de São Paulo, narrando uma história que dualiza o sagrado e o profano, a partir uma ambígua perspectiva feminina: a protagonista que deve salvar-se pela causa de seu martírio (o homem).
Já David Sedaris, na mesa 10, às 19h, faz da auto-ironia sua principal marca, para expor as feridas de uma sociedade norte-americana corroída em suas próprias contradições: os valores a partir dos quais a nação foi construída se perdem em divertidas situações, aparentadas à "stand-up comedy", onde as personagens podem assumir posturas e opiniões que, mesmo não chegando a chocar, comprometem a estrutura de um nicho.
Colaborador assíduo da revista "The New Yorker", Sedaris deve falar de seu mais recente trabalho, "Eu Falar Bonito um Dia" (Cia. das Letras, 2008).
Fonte: Flip
Leia mais
- Leia o que já foi publicado sobre Lucrecia Martel
- Leia o que já foi publicado sobre David Sedaris
- Leia o que já foi publicado sobre Ingo Schulze
- Leia o que já foi publicado sobre a Flip
Livraria da Folha
- Série "Folha Explica" decifra grandes autores
- Livro explica obra de 60 autores da literatura brasileira
- Leitor encontra listas de grandes livros, discos e filmes na coleção "Ilha Deserta"
- De Ferreira Gullar a Chacal, livro reúne melhor da poesia brasileira feita no século 21
- "Crítica Cultural" é baseado em curso de jornalismo cultural de Marcelo Coelho
Especial


