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01/07/2008 - 18h18

Leia resenha de "O Santo Sujo", de Humberto Werneck

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da Folha Online

"O Santo Sujo", Humberto Werneck

Em seu "O Santo Sujo" (Cosac Naify, 2008), o mineiro Humberto Werneck recolhe as pistas espalhadas pela Lapa, no Rio de Janeiro, pela ilha de Manhattan, em Nova York, e por Londres, Inglaterra, locais em que Jayme Ovalle (1896-1955) morou e criou um peculiar folclore. Da boemia ao trabalho na Alfândega, passando pelo grande sucesso de "Azulão".

Reprodução
Capa de "O Santo Sujo", livro de Humberto Werneck (Cosac Naify)
Capa de "O Santo Sujo", livro de Humberto Werneck (Cosac Naify)

Ao biografar o "santo da ladeira", Werneck recupera sua vida familiar, amorosa e seu papel dentro do modernismo brasileiro, buscando, porém, não colocá-lo em um molde fechado de mito ou do folclore empobrecido.

Aqui, o biógrafo apresenta, antes, a feição do homem triste que usava um engordurado monóculo, para então esmiuçar as origens de sua figura folclórica, observando-a e explicando-a, quase em uma linguagem romanceada, sem o tatibitate cronológico-chato que dá o tom em muitas biografias.

O leitor, tanto aquele já familiarizado com vida e obra de Ovalle como aquele que dele nunca ouvira falar, se cerca da vida do biografado, deixando-se guiar por uma mão narrativa que deixa fluir o texto, como em um romance, pontuado por histórias protagonizadas por personagens de peso como Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Villa-Lobos, Gilberto Freyre, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Di Cavalcanti entre muitos outros.

Não só. A pomba que o visitava constantemente (e que eventualmente o traiu com o pombo, segundo a versão de seu amigo Vinicius) é o tipo de personagem que convivia com Ovalle, famoso também por passar graxa de sapato no cabelo. Momentos todos tão incomuns que

Werneck descreve sem exagerar as cores de um artista que, se fosse apresentado como monumento nacional, isso o teria horrorizado, palavras de Antonio Candido.

Mais do que acompanhar a trajetória de um nome muitas vezes subestimado do nosso modernismo, oferece uma nova perspectiva desse movimento. Ao eleger a figura de Ovalle, sem colocá-lo em uma espécie de pedestal, contorna a biografia da geração de amigos que deu cores próprias àquele período de efervescência cultural.

 

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