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01/07/2008 - 18h16

Leia resenha de "A Parte Obscura de Nós Mesmos: Uma História dos Perversos", de Elisabeth Roudinesco

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da Folha Online

"A Parte Obscura de Nós Mesmos: Uma História dos Perversos", Elisabeth Roudinesco

A renomada psicanalista e historiadora da psicanálise Elisabeth Roudinesco alude, oportunamente, ao Marquês de Sade --"Príncipe dos Perversos"-- no subtítulo de seu mais recente livro, "A Parte Obscura de Nós Mesmos: Uma História dos Perversos" (Zahar, 2008).

Reprodução
Capa de "A Parte Obscura de Nós Mesmos", de Elisabeth Roudinesco
Capa de "A Parte Obscura de Nós Mesmos", de Elisabeth Roudinesco

Ao mesmo tempo em que tenta responder onde começa a perversão e quem são os perversos, Roudinesco critica a superficialidade dos estudos anteriores sobre a perversão, sobretudo por serem assaz abrangentes, pouco atentos a questões específicas que carecem de aprofundamento, como, por exemplo, as estruturas da perversão (ou perversões), e enfatiza que as políticas modernas, que se apóiam nas ciências para governar, obtiveram sucesso pertinente com doenças orgânicas, mas não no âmbito do sofrimento psíquico.

À maneira de Foucault, influência profunda na metodologia da autora, autor de "História da Sexualidade" [obra sem antecedentes], ela, abrindo o caminho a futuras investigações, delineia uma breve história das perversões através dos "perversos" do Ocidente, como Sade, o nazista Rudolf Höss, místicos medievais da autoflagelação, como Gilles de Rais, Liduína (Lidwina) de Schiedam, santa da Igreja Católica canonizada em 1890 que mortificava o corpo com jejuns, Barba Azul, pedófilos e terroristas de nossos dias etc., e mostra que a perversão é, de certo modo, intrínseca à civilização e talvez não possa ou não deva ser banida, pois é o fundamento de nossa civilização; este paradoxo ganha sua apologia ao serem tratados lado a lado como perversos santos e assassinos.

Perversão não é maldade, mas desvio, como indica a etimologia do termo, que ganhou a conotação que tem hoje na Idade Média. A felicidade com a destruição, o gozo pelo mal que é infligido a si mesmo ou a outrem em um transbordamento de sentido é descrito por Roudinesco sem jargões médicos ou psicanalíticos, o que, contudo, não priva o livro de sua cientificidade, sua leitura é muito agradável. A revista "Le Magazin Littéraire" escreveu "ler Roudinesco é uma tarefa urgente".

 

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