Leia resenha de "Carlos Lyra, Eu & Bossa", de Carlos Lyra
da Folha Online
"Carlos Lyra, Eu e a Bossa", Carlos Lyra
A história da bossa nova contada por alguém que a viveu de fato era mais que urgente. O grande compositor e intérprete Carlos Lyra, mais de 30 discos, lança seu livro "Carlos Lyra, Eu e a Bossa" (Casa da palavra, 2008) em um momento oportuno, pois cada vez mais a bossa nova passa a atrair o interesse da nova geração.
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| Capa do mais recente livro de Carlos Lyra, "Eu e a Bossa" |
O final dos anos 50 e a década de 60 são descritos por Lyra com o bom humor que lhe é próprio, sobretudo refletindo a situação sócio-política entre 1956-1963.
A bossa nova é um patrimônio cultural de nosso país, é nossa música mais apreciada em outros países. É fundamental que a juventude de hoje conheça sua origem, suas personagens e seu destino. O livro trata de episódios até hoje inéditos da história da bossa e da vida do autor --alguns bem engraçados, como o do Primal Institute, onde participou de uma terapia experimental um tanto quanto incomum--, o encontro com John Lennon, com o cineasta Luis Buñuel, diretor de "O Discreto Charme da Burguesia" (1972).
O livro explica por que a bossa foi vista como elitista, mesmo sendo música feita da classe média para a classe média, além de descrever a trajetória de seu autor, desde suas primeiras impressões na música popular passando pelo exílio, e de tantos outros, como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Bené Nunes, João Donato etc. O livro conta também de onde veio o nome bossa nova, e onde é que ela nasceu, já que parece haver muitos mitos a esse respeito.
O volume, que tem uma capa linda, é também acompanhado por dois CDs, cada um com 24 músicas, com os maiores sucessos de Lyra e suas grandes parcerias (Marcos Valle, Vinicius de Moraes, Dolores Duran, Paulo César Pinheiro etc.), e propicia que o livro seja lido e ouvido ao mesmo tempo. Aliás, as músicas fazem parte do livro e devem, sem dúvida, interromper a leitura em alguns momentos.
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