Hollywood está em "greve de fato", dizem produtores
da France Presse, em Los Angeles
Os produtores de Hollywood afirmaram nesta segunda-feira que o setor audiovisual americano está em "greve de fato" por causa dos atores, horas antes de expirar o acordo que regula as condições trabalhistas da categoria.
"Nosso setor já vive uma greve de fato, com a produção de filmes quase interrompida e a produção televisiva seriamente ameaçada", destacou a AMPTP (Aliança de Produtores de Cinema e Televisão), que reúne os empresários de Hollywood.
A AMPTP disse ter apresentado hoje ao principal sindicato de atores de cinema e televisão americano (SAG) uma "oferta final", após 42 dias de negociações entre as duas organizações.
O anúncio foi divulgado menos de quatro horas antes do fim do atual contrato de três anos entre atores e produtores, que vence às 7h GMT desta terça-feira (4h de Brasília).
O SAG (Sindicato de Atores de Cinema, na sigla em inglês), que tem 120 mil membros, se disse "sempre determinado a negociar um contrato justo para os atores, o mais rápido possível".
O sindicato qualificou a proposta dos produtores como uma "oferta de último minuto de 43 páginas" e destacou que "vai examinar esta oferta complexa para preparar uma resposta aos empregadores".
Greve
O presidente do SAG nos EUA descartou neste domingo que a categoria vá iniciar uma greve nos próximos dias, faltando pouco para seu atual contrato com os produtores de Hollywood vencer nesta segunda-feira.
"Não iniciamos qualquer processo de autorização de uma greve por votação dos membros do SAG. Qualquer menção a uma greve ou a um locaute é manobra de distração neste momento", afirmou o presidente do sindicato, Alan Rosenberg.
A imprensa de Hollywood afirma que os estúdios maiores tentam de todos os modos completar as filmagens de projetos existentes, enquanto que os estúdios de televisão gravaram a maior quantidade possível de algumas séries para poder ter material armazenado em caso de uma nova greve.
Os atores de cinema desejam o aumento dos salários de seus colegas de menos exposição do que aqueles que aparecem nas grandes produções e ganham menos de US$ 100 mil dólares por ano. Eles pedem também uma quantidade maior dos lucros que os estúdios ganham com as vendas de DVD e de produtos relativos às novas plataformas tecnológicas.
Os estúdios afirmam que o novo contrato com os atores seguirá os acordos alcançados com os roteiristas e diretores no início deste ano, e acusou o SAG de apresentar pedidos irracionais.
O impasse nas negociações já afeta a produção de vários grandes projetos, entre eles "Anjos e Demônios", filme baseado em livro do mesmo autor de "O código Da Vinci", da Sony Pictures.
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