Publicidade

Ilustrada
04/07/2008 - 21h47

Escritor americano dá show de humor em última mesa desta sexta na Flip

Publicidade

LIGIA BRASLAUSKAS
Editora da Folha Online, em Paraty

O mediador da última mesa da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), Matthew Shirts, editor da revista "National Geographic", apresentou seu convidado, o escritor e humorista americano David Sedaris, 51, dizendo que se alguém da platéia ainda não tivesse lido a obra dele, que isso lhe causava inveja, pois certamente essa pessoa teria muita coisa boa pela frente com tal leitura. Mas quem não leu os livros e assistiu à conversa certamente saiu da Tenda dos Autores com vontade de comprar toda a obra de Sedaris.

Rogerio Cassimiro/Folha Imagem
Escritor americano David Sedaris dá show de humor em última mesa desta sexta na Flip
Escritor americano David Sedaris dá show de humor em última mesa desta sexta na Flip

Divertido e inteligente, o bate-papo arrancou gargalhadas do público o tempo todo. Sedaris, que tem um texto rico em informações, é detalhista e dono de um humor ímpar, iniciou a conversa sugerindo que pudesse falar em português, e disse três coisas: "Uma mesa para dois, por favor", "Caipirinha" e "Fui!", já despertando risos.

Sedaris leu o conto "Jesus Sálvia", de seu livro "Eu Falar Bonito um Dia" (Cia. Das Letras, 2008), e como faz isso muito bem --ele também tem programa de rádio nos EUA--, conseguiu prender a atenção da platéia logo de cara.

O texto, engraçadíssimo, conta a experiência do autor em suas primeiras aulas de francês, quando morou na França, e das confusões que a falta de domínio de um idioma pode causar durante uma conversa que exige um pouco mais de vocabulário. Em uma passagem, uma das alunas tenta explicar a outra colega o que seria a Páscoa, e diz com seu francês de iniciante: "Ele se chama de Jesus e depois morre ele um dia em dois... pedacinhos de... madeira... Ele morre um dia e depois vai para cima das minha cabeça viver com o teu pai" [trecho reproduzido do livro de Sedaris].

O americano tem como característica escrever quase sempre textos em primeira pessoa e usa personagens da família e amigos. Embora algumas histórias estejam recheadas de cenas nitidamente inventadas, Sedaris explica por que não considera sua obra ficção. "Se 97% da história for verdadeira, então é tudo verdade para mim", disse.

Nome importante da revista "New Yorker", Sedaris contou que para escrever para este meio é necessário dizer a verdade, sempre, porque eles checam cada linha do que é escrito, e disse ter passado situações curiosas por conta disso. Ele lembrou que tem como hábito dar moscas às aranhas que tem pela casa, dessas aranhas pequeninas que acabam entrando nas residências.

Certa vez, escreveu um texto em que citava que a as aranhas tornaram-se tão gordas que suas "patas" perfuravam a teia. Segundo ele, o "New Yorker" ligou para um zoológico para checar se isso realmente seria possível.

Homossexual assumido, Sedaris também aborda com freqüência temas ligados à homossexualidade, mas diz que apenas 10% do seu público é gay, e contou que vende muitos livros em regiões bastante conservadoras dos EUA.

"Quando eu era garoto, não tive o luxo de ler revistas ou textos que falassem sobre homossexuais, então tive de moldar minha vida apenas nas histórias comuns", explicou.

Sedaris consegue realmente ser muito engraçado até quando conta passagens cotidianas, como, por exemplo, o fato de ter pedido de presente um bumbum artificial por ser desprovido de nádegas bonitas. Após usar a peça por alguns dias, deu-se conta de que o presente recebido tratava-se de nádegas com formato de pêra, portanto, femininas. Apesar disso, havia ficado tão satisfeito com o resultado em seu corpo que disse: "Eu adorava aquela 'pêra'."

Ao falar do Brasil, Sedaris não poupou humor. Contou que, na quinta-feira, jantara com pessoas que lhe disseram que aqui há lésbicas que saem com homens e isso o deixou surpreso. "Nos EUA, se você é lésbica, nem olhe para um homem, pois você é rotulada para isso. Gostei de as lésbicas aqui também saírem com homens."

Também comentou quão assustado ficou na área de esteiras de bagagens no aeroporto de Guarulhos. "Nunca vi nada como aquilo, nunca vi tanto caos, mas as pessoas não furam a fila", disse.

Questionado pelo público se ele se divertia tanto ao escrever suas histórias como se diverte ao lê-las, Sedaris afirmou que o primeiro rascunho dos textos é sempre muito empolgante, mas que depois vira matemática, ou seja, começa o trabalho técnico de limpeza e enriquecimento do texto.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca