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Ilustrada
05/07/2008 - 12h04

"Aqueles Dois" mantém trajetória de sucesso no FIT-BH

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MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial da Folha Online a Belo Horizonte

Quando estreou no Festival de Curitiba, em março deste ano, a montagem "Aqueles Dois", da companhia belo-horizontina Cia. Luna Lunera, deixou a platéia boquiaberta em aplausos eufóricos que passaram dos cinco minutos. Agora, apresentando sua peça em casa, o mesmo acontece no FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte).

O público do festival tem, neste sábado (5), a última chance para conferir a adaptação do conto homônimo de Caio Fernando Abreu (1948-1996), jornalista homossexual morto em decorrência de complicações provocadas pelo vírus da Aids.

Diego Pisante/Clix
Peça mostra história do amor que envolve funcionários de uma fria repartição
Peça mostra história do amor que envolve funcionários de uma fria repartição

A peça mostra a história do amor que envolve aos poucos os funcionários de uma fria repartição no centro de São Paulo, Saul e Raul. Ela está em cartaz na sala João Ceschiatti, no Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, Centro, Belo Horizonte; tel. 0/xx/31/3236-7400; ingressos R$ 20).

Montada por Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves, Rômulo Braga e Zé Walter Albinati, sendo que o último não está em cena, o espetáculo disseca o coração dos dois personagens, escancarando suas tristezas e pequenas satisfações em um cotidiano pobre de alegria.

Com excelente preparo corporal e uma atuação eloqüente dos atores, o espetáculo hipnotiza, fazendo com que a 1h20 pareça poucos minutos. Os dois personagens centrais, bem como os colegas de repartição, são divididos entre os quatro atores em cena. O texto de Caio Fernando Abreu surge de forma natural e absolutamente verdadeira.

Sem medo, a montagem expõe a nudez dos atores, num dos momentos de maior delicadeza da montagem, quando Raul e Saul resolvem dormir nus, numa noite quente. Nada é gratuito ou comercial.

Os jogos coreográficos, que antecipam o começo da peça, enquanto o público toma seus lugares, são mantidos no desenrolar da história, criando um desenho cênico bem cuidado e que ajuda a sensibilizar a platéia para a história daqueles dois moços.

O cenário traz o público para o íntimo dos personagens, com objetos diversos espalhados pelo palco quadrado, em volta do qual a platéia se senta. Lá estão os discos, os livros, a garrafa de café, a velha máquina de escrever e os aparelhos telefônicos que aplacam a saudade ou trazem maus presságios. Inteligentemente, o tablado é transformado no quarto de pensão, em uma festa de fim de ano ou na repartição burocrática.

Outro destaque é a trilha, recheada de boa música que vai desde "Preciso Dizer Que Te Amo", de Bebel Gilberto, Dé e Cazuza, a "Amor Meu Grande Amor", lendária canção de fossa de Ângela Rô Rô. Mas a música que toma conta da montagem é o bolero de Carlos Gardel "El Dia Que Me Quieras". É ele quem toma Raul e Saul pela mão e os conduz pela vida que escolhem viver.

Diante de um festival que exibe peças de lugares distintos como Israel, Peru, Estados Unidos, França, Inglaterra ou Bolívia, "Aqueles Dois" mostra que a dramaturgia nacional está madura e consegue produzir montagens clássicas. Mais uma vez, o espetáculo chama a atenção, é aclamado pelo público com aplausos generosos, o que nos dá a desconfiança de que será o melhor entre o visto no FIT-BH.

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.

 

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