Mesa sobre literatura italiana na Flip reúne Baricco e Calligaris
LIGIA BRASLAUSKAS
Editora da Folha Online, em Paraty
A mesa Fábulas Italianas da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) reuniu neste sábado o escritor italiano Alessandro Baricco e o psicanalista, escritor e colunista da Folha de S.Paulo, Contardo Calligaris. Após lerem trecho de seus livros, os dois falaram sobre a forma como usam o distanciamento para escrever seus livros, ambientados em lugares distantes de onde estão.
"Para mim seria impossível escrever um romance com uma pessoa com nome italiano, que almoça em uma tratoria. Quando eu era criança, eu lia romances em inglês. Então eu acho que eu aprendi que as histórias pertencem à mente. Acho que fazer literatura tem a ver com um gesto infantil, de imaginar", disse Baricco.
Já Calligaris, que vive em São Paulo e em outras cidades, escreveu seu primeiro romance "Conto do Amor" (Cia. das Letras, 2008) todo ambientado na Itália, com nomes de ruas, de restaurantes, de locais específicos. "Escrevi sobre a itália sem estar na Itália. Talvez se eu estivesse lá também escrevesse sobre outros lugares", afirmou.
Baricco citou sobre a sua maneira de não se afastar demais da realidade, de sua ligação com suas raízes, que para ele é a única forma de escrever. Ele disse que quando fala com escritores italianos da mesma geração que ele, percebe que esses escritores se afastam mais da realidade em suas criações.
"Minha linha é mais ligada às raízes. Eu nasci num lugar (Turim) que se você se sentar na rua, não verá nada demais, então você passa a imaginar as coisas que podem acontecer e a vida das pessoas. É diferente de estar em Milão. Minha geração na Itália não teve modelos de literaturas fortes."
Diferentemente de Baricco, Calligaris afirmou que sua ligação com os locais onde vive é muito tênue, portanto não ocorre uma ligação que gere inspiração para escrever. "Eu não me sinto preso, talvez por isso tenha essa tendência de descrever tanto o local."
Sobre a relação da literatura como cinema, Baricco, que já teve seu livro "Seda" (Cia. das Letras, 2007) transformado em filme de mesmo nome, disse que é melhor sempre o autor se distanciar do que será feito pelos roteiristas. Na opinião dele, o trabalho do roteirista tem um afastamento de obra origina que fica impossível trabalhar em conjunto. "Eu tentei escrever o roteiro em parceria, mas durou apenas uma hora e meia. Então, me desliguei da coisa. Um dia comprei um ingresso, entrei no cinema e assisti ao filme", disse.
Apesar disso, Baricco disse que é muito influenciado pelo cinema, que, inclusive, a visão cinematográfica influenciou sua forma de escrever. "Para mim, isso significa uma linha de trabalho, Sempre penso naqueles já entenderam a importância da influência do cinema na literatura, aqueles que não perceberam não me interessam.
Leia mais
- "O terror me intimida", diz Neil Gaiman
- Pior crime organizado é feito pela internet, diz inglês na Flip
- VÍDEO: Filme argentino tem pré-estréia neste sábado durante a Flip
- VÍDEO: Escritor diz que Ingrid Betancourt é ambiciosa e aventureira
- Sexualidade na literatura encerra 2ª dia da Flip
- Werneck e Xico Sá fazem mesa de humor e tiram gargalhadas do público
- Psicanalista francesa lota tenda da Flip ao falar de perversão
- Abertura da Flip vira aula com leitura de Schwarz sobre Machado de Assis
- Veja programação completa da Flip
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria da Folha
- Acreditar que todos os políticos são corruptos é uma armadilha, diz Contardo Calligaris
- Leia artigo do psicanalista Contardo Calligaris sobre publicidade e consumo
- Contardo Caligaris investiga como o emprego define a identidade das pessoas
- Série "Folha Explica" decifra os principais autores da literatura brasileira
- Livro explica obra de 60 autores da literatura brasileira
- Leitor encontra listas de grandes livros, discos e filmes na coleção "Ilha Deserta"
- Ilustradores de todo o mundo desenham Asterix em histórias inéditas
Especial

