Ilustrada
07/07/2008 - 07h50

Futebol do Brasil é jogado em poesia, analisa José Wisnik

EDUARDO SIMÕES
MARCOS STRECKER
da Folha de S.Paulo, em Paraty

O escritor e compositor José Miguel Wisnik e o antropólogo Roberto DaMatta promoveram uma análise sociocultural do Brasil através do futebol. O esporte é tema de livros recém-lançados por Wisnik ("Veneno Remédio", Companhia das Letras) e por DaMatta ("A Bola Corre Mais do que os Homens", Rocco). Os dois se apresentaram ontem na mesa "Folha Seca", que teve mediação do jornalista Matthew Shirts.

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Torcedor do Fluminense, DaMatta ressaltou que a força do futebol no Brasil destrói "o mito de que somos fracos". Segundo o ele, em vez de destruir a cultura do país, o jogo vindo da Inglaterra foi "canibalizado" e virou paixão nacional.

Citando um ensaio do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, Wisnik, que torce pelo Santos, fez uma analogia entre futebol e literatura e disse que o esporte pode ser jogado em prosa, com ênfase na defesa, ou em poesia, com ênfase no desejo de ataque e não-linear, que seria o caso da América do Sul, mais especificamente do Brasil.

Para Wisnik, "o futebol brasileiro cria uma linguagem com beleza e gratuidade, sem deixar de lado a eficácia". Em seguida, o escritor relacionou o esporte e o Brasil.

"O futebol é o lugar onde se manifesta a síndrome do tudo ou nada do brasileiro, entre os momentos maravilhosos e a queda catastrófica, entre a exaltação e a vaia", afirmou Wisnik.

Pierre Bayard

Mais cedo, na mesa "Os Livros que Não Lemos", mediada por Contardo Calligaris, colunista da Folha, o escritor francês Pierre Bayard polemizou afirmando que para apreciar um livro não é necessário lê-lo.

Seu colega de mesa, Marcelo Coelho, também colunista da Folha, ponderou: "Não podemos querer que todos leiam avidamente ou que só se contentem com resumos", disse, referindo-se ao expediente de notas, sugerido por Bayard para substituir a leitura integral.

 

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