Futebol do Brasil é jogado em poesia, analisa José Wisnik
EDUARDO SIMÕES
MARCOS STRECKER
da Folha de S.Paulo, em Paraty
O escritor e compositor José Miguel Wisnik e o antropólogo Roberto DaMatta promoveram uma análise sociocultural do Brasil através do futebol. O esporte é tema de livros recém-lançados por Wisnik ("Veneno Remédio", Companhia das Letras) e por DaMatta ("A Bola Corre Mais do que os Homens", Rocco). Os dois se apresentaram ontem na mesa "Folha Seca", que teve mediação do jornalista Matthew Shirts.
Torcedor do Fluminense, DaMatta ressaltou que a força do futebol no Brasil destrói "o mito de que somos fracos". Segundo o ele, em vez de destruir a cultura do país, o jogo vindo da Inglaterra foi "canibalizado" e virou paixão nacional.
Citando um ensaio do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, Wisnik, que torce pelo Santos, fez uma analogia entre futebol e literatura e disse que o esporte pode ser jogado em prosa, com ênfase na defesa, ou em poesia, com ênfase no desejo de ataque e não-linear, que seria o caso da América do Sul, mais especificamente do Brasil.
Para Wisnik, "o futebol brasileiro cria uma linguagem com beleza e gratuidade, sem deixar de lado a eficácia". Em seguida, o escritor relacionou o esporte e o Brasil.
"O futebol é o lugar onde se manifesta a síndrome do tudo ou nada do brasileiro, entre os momentos maravilhosos e a queda catastrófica, entre a exaltação e a vaia", afirmou Wisnik.
Pierre Bayard
Mais cedo, na mesa "Os Livros que Não Lemos", mediada por Contardo Calligaris, colunista da Folha, o escritor francês Pierre Bayard polemizou afirmando que para apreciar um livro não é necessário lê-lo.
Seu colega de mesa, Marcelo Coelho, também colunista da Folha, ponderou: "Não podemos querer que todos leiam avidamente ou que só se contentem com resumos", disse, referindo-se ao expediente de notas, sugerido por Bayard para substituir a leitura integral.
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