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07/07/2008 - 08h39

Com teatro, atriz Fernanda Montenegro "refunda" Paulínia

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SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo

Para selar a inauguração do Theatro Municipal de Paulínia e a abertura, simultânea, do 1º Festival Paulínia de Cinema, na noite de sexta passada (4), a atriz Fernanda Montenegro, no papel de mestre-de-cerimônias, invocou Shakespeare: "Há instantes em que somos senhores do nosso destino", afirmou.

Divulgação
Fernanda Montenegro inaugurou Theatro Municipal de Paulínia
Fernanda Montenegro inaugurou Theatro Municipal de Paulínia

Era um prólogo da atriz ao agradecimento nominal que ela faria, em seguida, a Edson Moura (PMDB), prefeito da cidade, que fica a 118 km de SP, pela decisão de construir, com R$ 53 milhões, o bem aparelhado e refinado teatro multiuso.

"Mulher de teatro", como se definiu, Fernandona disse que, ainda que possua "igreja, hospital, saneamento, uma cidade sem teatro não é uma cidade" e decretou, por fim: "Paulínia é Paulínia, a partir deste teatro!".

O prefeito entregou o título de cidadão paulinense ao cineasta Fernando Meirelles, que apoiou a idéia de erguer na cidade um pólo cinematográfico e nela rodou, em 2007, cenas de seu novo filme, "Ensaio Sobre a Cegueira", que abriu o Festival de Cannes, em maio passado, e estréia nos cinemas no próximo mês de setembro.

Em seu agradecimento, Meirelles também citou Shakespeare. O diretor observou que, com a obra de engenharia, a municipalidade havia cumprido "a parte mais fácil" do projeto. "O difícil agora é encher essa caixa com som e fúria", disse.

Coube à música o desafio inaugural de povoar "a caixa" de significado. Primeiro, com o som da velha guarda da Portela, tema do documentário "O Mistério do Samba", de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, que teve em Paulínia sua primeira exibição pública.

Em seguida, o palco abrigou o show em que a cantora Maria Rita pede passagem ao samba para ser sua nova intérprete.
A platéia, de convidados, reagiu timidamente à sugestão de Maria Rita que o traje de gala não fosse "um empecilho" ao desfrute do show. Poucos atenderam o chamado do samba e sacolejaram seus longos e smokings, "escondidos" nas laterais da platéia e nos camarotes.

O público passou a ter entrada franca no teatro desde sábado, quando começaram as sessões competitivas do 1º Festival Paulínia de Cinema, que vai até o próximo dia 12.
A Secretaria de Cultura divulgou anteontem o destino de R$ 5,6 milhões à produção de dez longas, que terão de ser em parte rodados em Paulínia.

O produtor Hank Levine, agraciado com R$ 200 mil para realizar o documentário "Crianças Abandonadas", que ele dirigirá, anunciou que o diretor inglês Peter Greenaway filmará nos estúdios de Paulínia, em 2009. "Temos Hollywood, Bollywood [Índia] e, agora, Pauliwood", disse Levine.

 

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