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Ilustrada
08/07/2008 - 15h04

Com Milton por perto, Marina Machado canta "Tempo Quente"

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MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online, em Belo Horizonte

Marina Machado, 35, parece tímida num primeiro olhar, mas logo começa a falar e daí não pára mais. Desculpa-se pelo esmalte preto que falta em algumas das unhas, diz querer ser um dia igual a Milton Nascimento e até revela que já tirou a roupa durante um show em um bar.

Bruno Magalhães/Divulgação
Cantora mineira Marina Machado
Cantora Marina Machado canta hoje em São Paulo músicas do disco "Tempo Quente"

A cantora mineira conversou com a Folha Online na última sexta-feira (4), no escritório da Savassi, na região central de Belo Horizonte, cidade onde mora.

Ela se apresenta nesta terça, às 22h30, no Bourbon Street Music Club, em São Paulo. Amanhã é a vez do Rio e, na quinta, ela se apresenta em Nova Lima (MG).

O público verá Marina cantar as músicas de seu terceiro álbum solo, "Tempo Quente". Fazem parte do repertório canções menos conhecidas de nomes consagrados como Vinicius de Moraes ("Samba de Gesse") e Roberto Carlos e Erasmo Carlos ("Grilos").

O disco de 15 faixas marca a estréia do selo Nascimento Music, criado pelo cantor e compositor Milton Nascimento, padrinho musical da cantora. O próprio Nascimento assina a direção artística do CD, que tem sua música "Lilia" como penúltima faixa.

"Conheci o Milton após uma apresentação dele na turnê 'Crooner', em São Paulo, em 1999. De cara, ele me convidou para cantar a seu lado na semana seguinte", conta.

"Me leva junto"

Foi o encontro com Milton que possibilitou o deslanche nacional da carreira de Marina, que foi convidada por ele para cantar no álbum "Pietá", de 2002.

"Quando soube da turnê, falei: 'Bituca, me leva junto, faço backing vocal, percussão, o que você quiser' (risos). Ele é responsável por eu continuar cantando. Amadureci muito musicalmente com ele. Além dele ter me dado uma profissionalização para minha carreira."

A vida financeira também mudou após o encontro. "Trabalhar com o Milton me trouxe muitas coisas boas: reformei minha casa, troquei de carro, comprei o computador com o qual gravei esse disco. Foi uma época muito farta. É muito bom poder viver de música", diz.

Nudez no palco

Sobre cantar na noite, o que já fez muito na carreira que vem desde 1990, ela diz, enfática. "Odeio ser vitrola ambulante".

Bruno Magalhães/Divulgação
Milton Nascimento inaugura lançamentos de sua gravadora com o trabalho "Tempo Quente", da cantora mineira Marina Machado
Disco "Tempo Quente", de Marina Machado, tem músicas menos conhecidas de nomes como Milton Nascimento e Roberto Carlos

Ela se sente incomodada em ter que disputar com risos, gritos, pedidos ao garçom e até os freqüentes "Parabéns pra Você" nas rodas de amigos.

"Entre 1991 e 1998 fiz muito bar aqui em BH. Eu odeio. Certa vez, tirei a roupa para ver se eles prestavam atenção em mim. Foi sensacional, o bar inteiro se calou. Aí eu disse: esse é o poder das coxas (risos)."

Ela admite que experiência no bar, mesmo muitas vezes não tão agradável, ajudou a formar a cantora que é hoje.

"No palco, eu gosto de sentir, de chorar. Eu sou extremamente emotiva. Gosto de cantar o amor, eu sofro muito", fala. Marina está solteira. "Há dois anos estou assim. Sou como o Vinícius [de Moraes], não me conformo em estar sozinha."

De Rita a Björk

Sobre estilos ela diz misturar tudo, tendendo para o pop. "Quando era adolescente, ouvia Rita Lee, Marina Lima e Kid Abelha. O Milton e a Elis vieram depois, assim como a Cássia Eller, a Billie Holiday e a Björk."

A mineiridade também está presente na música dela. "Já cantei com praticamente todo mundo do Clube da Esquina, acho que só falta cantar com o Toninho Horta e com o Beto Guedes."

Sou do mundo, sou Minas Gerais

Marina tem fala arrastada, com forte sotaque mineiro. A aparente calma é reforçada com ioga, pilates e tai chi chuan. Ela também é vegetariana. "Tem um ótimo restaurante vegetariano aqui pertinho, se você quiser, te mostro", oferece.

Mesmo diante de tantos elementos zen, ela diz ter uma vida corrida. Além de cantar, ensaia mais uma peça musical com a Cia. Burlantins, grupo de teatro musical que fundou ao lado dos atores Maurício Tizumba e Regina Souza.

"É uma peça infantil que vai se chamar 'Zeropéia', com estréia prevista para agosto", adianta. No dia seguinte ao da entrevista, ela tinha um compromisso de uma fraternidade bem mineira. "Vou cantar no casamento de um amigo, meu."

Por enquanto, Marina Machado não cogita mudar-se de Belo Horizonte, rumo ao Rio ou a São Paulo. "Aqui tenho minha turma, posso estudar a voz, o corpo... Não vejo necessidade de sair. Já consegui trabalhar com nomes como Chico Pelúcio, Gabriel Villela e Carla Camuratti, sem sair daqui. De Minas eu consigo me comunicar com o mundo."

Marina Machado canta "Tempo Quente"

São Paulo
Quando: terça-feira (8), 22h30
Onde: Bourbon Street Music Club (r. dos Chanés, 127, Moema, São Paulo; tel. 0/xx/11/5095-6100; classificação 18 anos)
Quanto: R$ 35

Rio
Quando: quarta-feira (9), às 19h30
Onde: teatro Rival (r. Álvaro Alvim, 33, Cinelândia, Rio; 0/xx/21/2240-4469)
Quanto: R$ 36 (inteira) e R$ 25 (150 primeiros pagantes)

Nova Lima - Grande BH
Quando: quinta-feira (10)
Onde: Esopo (al. Flamboyant, 285, Vale do Sereno, Nova Lima; tel. 0/xx/31/3286-3412; classificação 18 anos)
Quanto: R$ 30 (antecipado); R$ 40 (no dia)

 

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