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15/07/2008 - 08h31

Com 2º álbum, Cansei de Ser Sexy deixa para trás fase do "hobby"

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THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

A brincadeira virou coisa séria. O Cansei de Ser Sexy 2008, prestes a lançar o segundo disco, tem pouco a ver com o Cansei de Ser Sexy 2003/2004, quando a banda foi formada.

Roberta Ridoli/Divulgação
Com 2º álbum "Donkey", banda brasileira Cansei de Ser Sexy deixa para trás fase do "hobby"
Com 2º álbum, banda brasileira Cansei de Ser Sexy deixa para trás fase do "hobby"

Há pouco mais de quatro anos, o grupo era um septeto criado por seis meninas (que não sabiam tocar instrumentos) e um menino (que sabia). E buscavam, basicamente, tirar sarro em palcos de bares e pequenos clubes de São Paulo.

Hoje a banda é um quinteto; o nome Cansei de Ser Sexy foi abreviado definitivamente para CSS; os integrantes aprenderam a tocar e moram no exterior. Virou emprego sério.

Desde outubro de 2005, quando saiu o CD de estréia, homônimo, Luiza Lovefoxxx, Adriano Cintra, Carol Parra, Luiza Sá e Ana Rezende deixaram shows em bares acanhados, como a Torre, em SP, para tocar, por exemplo, no Wembley Arena (12.500 lugares), em Londres, com a cantora Gwen Stefani, ou no gigantesco festival inglês Glastonbury.

Esse período de ascensão trouxe turbulências. No ano passado, os músicos romperam com o antigo empresário por divergências financeiras (a questão está na Justiça). Recentemente, a baixista Ira Trevisan deixou o CSS. É com esse pano de fundo que "Donkey", o segundo disco, chega às lojas do mundo, no dia 21 (no dia 17, poderá ser ouvido em br.myspa ce.com/canseidesersexy).

"Porcaria"

"No primeiro CD, não sabíamos o que estávamos fazendo. Tocávamos num lugar tosco, sem estrutura. Nem nos preocupávamos. De que adiantava tocar uma guitarra se ficaria uma porcaria mesmo?", diz Adriano Cintra, 34, à Folha, por telefone, de Londres.

"No primeiro CD, [o clima] era "vamos aí, tá tudo ótimo". Agora, tivemos tempo, gravamos e regravamos guitarras. Queríamos que ficasse suficientemente bom", afirma Luiza Sá, 25.

Se no álbum de estréia o CSS era descrito pela imprensa estrangeira como uma "banda de festa" que cantava sobre fazer amor e ouvir (o duo) Death from Above (no hit "Let's Make Love and Listen to Death from Above"), "Donkey" traz canções com letras que resvalam em temas como raiva e traição.

"Agora levamos a banda como a coisa principal de nossas vidas. Antes eu tinha outro emprego, o grupo era um hobby. Os temas das músicas são outros. Já fizemos uma coisa no primeiro disco, não teria por que repetir. No terceiro, falaremos de outras coisas. A vida vai em frente", justifica Cintra.

"Donkey" é diferente de seu antecessor não só na temática, mas também na estrutura. Se antes as faixas recebiam tratamento eletrônico, pop, as 11 músicas do novo disco são basicamente roqueiras, com foco nas guitarras. "Esse álbum reflete a banda como ela é ao vivo", diz a guitarrista. "É mais rock que o outro", concorda Cintra. "Mas as músicas do primeiro disco soavam mais pesadas nos shows, como as novas. Era uma preocupação nossa, porque em vários festivais nos colocavam para tocar com DJs. Queremos tocar com bandas, somos uma banda de rock."

Amigável e esquisita

Cintra e Luiza Sá dizem que a saída de Ira Trevisan foi "amigável", mas "esquisita". "Ela decidiu sair em novembro. Não tinha interesse em aprender a tocar as coisas novas. Teve coragem de abrir mão de muita coisa ao sair da banda", diz Cintra.

Desde o lançamento do primeiro disco e da primeira turnê pelo exterior (esta em julho de 2006), a banda não tira férias. Manterá o ritmo até ao menos o fim do ano: há shows previstos para festivais como Lollapalooza (EUA), Summercase (Espanha), Fuji Rock (Japão) e Reading (Inglaterra). "Mas, agora, tocaremos só três ou quatro vezes por semana. Teremos tempo para descansar", diz Cintra --o CSS chegou a fazer seis shows por semana em 2007.

O grupo deve demorar a voltar ao Brasil. Sondado para tocar neste ano no VMB, da MTV, não tem data disponível.

 

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